Segunda-feira, Agosto 31, 2026
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Reformas controversas ao Regimento do Parlamento panamenho aprovadas

Cidade do Panamá, 12 de ago (Prensa Latina) A sessão plenária da Assembleia Nacional do Panamá (Parlamento) aprovou, em seu terceiro e último debate, as reformas ao Regimento Orgânico de Procedimentos Internos, em meio a questionamentos sobre suas disposições, informou-se hoje.

De acordo com o comunicado oficial, a iniciativa recebeu 37 votos a favor, 21 contra e uma abstenção ontem. Agora, seguirá para o Poder Executivo, que deverá decidir se a aprova ou apresenta objeções ao texto antes de sua publicação no Diário Oficial.

O projeto de lei, que modifica e acrescenta artigos ao texto consolidado da Lei 49 de 1984, foi elaborado a partir de 18 propostas legislativas e sofreu diversas alterações durante o debate parlamentar. A Assembleia informou que mais de cem propostas de alteração foram apresentadas durante o processo.

Uma das questões mais controversas foi a incorporação de poderes que permitem aos deputados gerir e supervisionar programas e projetos nos seus respectivos distritos eleitorais, uma possibilidade que havia sido eliminada do regulamento parlamentar numa reforma de 2010.

Esta disposição foi questionada por grupos da oposição e organizações empresariais, que acreditam que ela poderia criar oportunidades para o clientelismo político e obscurecer a separação de poderes entre os Poderes Legislativo e Executivo.

Durante o debate, também persistiram divergências relativamente à frequência dos deputados, aos níveis de pessoal, às isenções e às regras de contratação de pessoal.

Entre os aspetos mais controversos esteve a eliminação da disposição que proibia os deputados de contratarem parentes até ao quarto grau de consanguinidade e segundo grau de afinidade, uma alteração que reacendeu o debate sobre os mecanismos para prevenir o nepotismo no Parlamento. A congressista Janine Prado, do partido Vamos, questionou a falta de medidas suficientes no texto para eliminar privilégios, combater o absentismo e fechar brechas para o nepotismo.

As preocupações da oposição também se estendiam à possibilidade de que as chamadas “chapas de circuito”, formalmente eliminadas no passado, pudessem reaparecer sob diferentes mecanismos, por meio da participação de congressistas na gestão de projetos comunitários.

Outros pontos incluídos na reforma dizem respeito à eleição da liderança das comissões, à posse dos congressistas suplentes, à estrutura e classificação do quadro de funcionários legislativos, às regras para a formação de blocos parlamentares e aos procedimentos operacionais do plenário e das comissões.

Durante o processo de discussão, a presidente da Comissão de Credenciais, Regulamentos, Ética Parlamentar e Assuntos Judiciais, Dana Castañeda, defendeu a reforma como um esforço para modernizar o funcionamento do Legislativo e estabelecer regras mais claras para sua operação. A comissão havia levantado, entre outras questões, mecanismos relacionados à produtividade parlamentar, à frequência às sessões e à organização das comissões permanentes.

O debate sobre o Regimento Interno ocorre em um contexto de questionamento público do desempenho da Assembleia Nacional e de sua utilização de recursos e pessoal legislativos.

O próprio presidente José Raúl Mulino já havia manifestado preocupação com o elevado número de leis aprovadas pelo Parlamento que, segundo ele, teve de vetar posteriormente devido a contradições com a legislação vigente, os parâmetros fiscais ou as disposições constitucionais.

Nesse sentido, a discussão suscita um debate que transcende o procedimento parlamentar: como garantir uma Assembleia mais eficiente e transparente sem ampliar os poderes dos deputados em áreas que possam gerar conflitos de jurisdição, discricionariedade na gestão dos recursos públicos ou práticas clientelistas.

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