O presidente afirmou que a medida representa um gesto inadequado entre dois países com uma relação diplomática de mais de 200 anos, em um contexto de crescente tensão bilateral entre Brasília e Washington.
“Ele (Donald Trump) retirou o visto da nossa embaixadora. Achei uma atitude irresponsável, impensável para os dois países, que mantêm relações diplomáticas há 200 anos”, declarou Lula em entrevista ao canal do YouTube Meteoro Brasil.
A decisão do governo norte-americano ocorre depois que o Brasil negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao país para tratar de assuntos relacionados ao processo eleitoral brasileiro.
Segundo o Executivo do gigante sul-americano, a visita tinha como objetivo questionar a transparência das eleições, uma iniciativa que Brasília considerou uma possível ingerência em seus assuntos internos.
Lula garantiu que o país está preparado para responder a qualquer tentativa estrangeira de interferir no sistema eleitoral nacional. “O Brasil não só está preparado, como enfrentará qualquer pessoa de fora que venha para intervir em nosso sistema eleitoral”, afirmou.
O chefe de Estado também defendeu a necessidade de manter uma postura equilibrada na relação com os Estados Unidos e relembrou as conversas que manteve com o presidente Donald Trump.
“Eu disse a Trump que somos dois homens de 80 anos, presidentes das principais democracias da nossa região, e que precisamos demonstrar moderação”, destacou.
A controvérsia inclui, além disso, a demora do governo brasileiro em conceder o beneplácito ao novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Daniel Pérez, indicado pela Casa Branca.
Washington condicionou a restituição do visto de Viotti à aprovação do representante diplomático norte-americano, uma exigência rejeitada por setores do governo brasileiro, que classificaram a medida como uma forma de pressão.
Lula indicou que não pretende acelerar o processo antes das eleições de outubro próximo e anunciou que não receberá novos embaixadores até a realização das eleições.
“Eu disse ao Mauro (Vieira, ministro das Relações Exteriores) que não vou receber nenhum embaixador no Brasil até as eleições”, afirmou.
A revogação do visto colocou Viotti em uma situação diplomática inédita, segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores citadas pela mídia brasileira.
Embora a embaixadora não tenha sido declarada persona non grata — mecanismo previsto na Convenção de Viena para a expulsão de um representante estrangeiro —, ela enfrenta incertezas quanto ao exercício de suas funções com o documento cancelado.
O episódio constitui um novo capítulo na deterioração das relações entre o Brasil e os Estados Unidos, marcadas nos últimos meses por crescentes pressões diplomáticas e comerciais por parte de Washington.
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