Catar, Paquistão e Egito participam de uma mediação liderada por Omã para reativar a diplomacia entre os EUA e o Irã, depois que o presidente Donald Trump anunciou na segunda-feira que suspende os ataques planejados contra o Irã e acrescentou que “a ação militar continua sendo uma opção caso as negociações fracassem”.
Informações oficiosas divulgadas indicaram que as eventuais negociações se concentrariam na reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo e na retomada de um acordo nuclear abrangente.
Na verdade, tal acordo foi negociado por Teerã e pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França, além da Alemanha, que não faz parte do órgão, mas foi desmantelado pelo próprio Trump assim que assumiu a presidência em seu primeiro mandato (2017-2021).
Sobre as boas intenções do quarteto pacificador, no entanto, paira a sombra do resultado da entrevista marcada para hoje entre o presidente dos Estados Unidos e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Washington.
O chefe do gabinete israelense é um defensor obstinado da continuação da guerra de Washington contra o Irã e não se contenta com nada menos do que a destruição da República Islâmica a qualquer custo.
O paradoxo dessa situação é que Israel possui entre 80 e 200 bombas atômicas construídas com a aquiescência cúmplice dos Estados Unidos e a cooperação da França, que forneceu o urânio, e da África do Sul do apartheid, que permitiu que elas fossem testadas em seu território em troca da promessa de Tel Aviv de compartilhar seus recursos e criar um dispositivo nuclear para ameaçar os demais Estados do continente.
Assim que assumiu a presidência da África do Sul, após eleições que, pela primeira vez, permitiram o voto da maioria negra, o presidente Nelson Mandela renunciou ao uso da energia atômica.
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