Após o encontro, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional reiterou seu apoio à política econômica da administração de Javier Milei e admitiu em breve coletiva de imprensa que “embora a economia esteja se desempenhando melhor, persiste a incerteza”.
Pediu aos argentinos que “virem a página” para seguir o caminho de um suposto «crescimento fiscalmente responsável», e instou o governo a «lutar contra a corrupção», embora não tenha se expressado sobre os casos sob investigação da Justiça que envolvem funcionários da administração nacional.
Enquanto isso, nos arredores do Ministério da Economia ocorreu um protesto massivo contra o FMI e as políticas da equipe executiva com os slogans principais de «Fora o FMI» e «Não ao pagamento da dívida externa».
Os manifestantes denunciaram que as exigências do organismo internacional aprofundam a recessão, a pobreza e os cortes em áreas essenciais, ao mesmo tempo em que cobraram pela perda do poder aquisitivo dos salários e das aposentadorias diante da inflação.
Depois da reunião no Ministério da Economia, Georgieva e Caputo se deslocaram para a Casa Rosada, onde mantiveram um encontro com Milei do qual participou também o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Nigel Chalk.
Em sua agenda, a chefe do organismo de crédito tem programada uma visita a Vaca Muerta, a maior jazida de petróleo e gás da Argentina, na província patagônica de Neuquén.
Coincidindo com a permanência de Georgieva, um grupo de deputados nacionais, principalmente do bloco opositor União pela Pátria, apresentou nesta segunda-feira ao Congresso da Nação um anteprojeto que propõe ordenar a relação da Argentina com o FMI.
A iniciativa apresentada pelo legislador Máximo Kirchner busca recuperar para o Congresso a decisão sobre o endividamento externo do país, com o objetivo de que nenhuma operação de crédito seja decidida por decreto presidencial.
Além disso, fixa um teto legal para a dívida externa e instrui o Poder Executivo a exigir do próprio FMI uma revisão do excedente que hoje sobrecarrega o país.
A proposta de Kirchner, que leva a assinatura de mais 15 deputados, estipula para a Argentina ordem, previsibilidade e maior controle democrático.
O governo argentino deve ao FMI mais de 57 bilhões de dólares, consolidando o país como seu maior devedor global. Este montante inclui o empréstimo original de 2018, refinanciamentos posteriores e um programa acordado em abril de 2025 de 20 bilhões de dólares adicionais.
mar/mh/bm





