Quarta-feira, Julho 15, 2026
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Organizações do Equador defendem pedido de destituição de Noboa

Quito, 10 jul (Prensa Latina) Organizações sociais do Equador defenderam hoje o segundo pedido de destituição do presidente Daniel Noboa e insistiram que se trata de um direito constitucional.

Representantes de sindicatos, organizações camponesas e coletivos de cidadãos apresentaram nesta sexta-feira os argumentos jurídicos e políticos que, em sua opinião, fundamentam o pedido apresentado ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para antecipar a saída de Noboa do poder.

O presidente da União Nacional de Educadores (UNE), Andrés Quishpe, afirmou que a destituição “é um direito constitucional que os equatorianos devem exercer” diante de um governo que, segundo ele, não cumpriu suas propostas de campanha.

O líder convocou um protesto para o próximo dia 22 de julho em frente à sede do órgão eleitoral.

A mobilização visa exigir que o CNE forneça os formulários para iniciar a coleta de assinaturas, etapa indispensável para que o processo de destituição prossiga.

O presidente da Confederação Nacional de Organizações Camponesas, Indígenas e Negras (Fenocin), Guido Perugachi, explicou que o pedido se baseia no suposto descumprimento do plano de trabalho da chapa presidencial, do Plano Nacional de Desenvolvimento e das disposições da Constituição.

Perugachi questionou ainda a assinatura de acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), ao considerar que eles contrariam a legislação vigente, e criticou o secretário jurídico da Presidência, Enrique Herrería, pela defesa que fez do Executivo diante dos pedidos de destituição.

Perugachi garantiu que o documento foi elaborado com o apoio de acadêmicos e especialistas em direito e convidou a população a examinar o texto completo, divulgado pela organização em suas plataformas digitais.

O presidente da União Geral dos Trabalhadores do Equador (UGTE), José Villavicencio, reiterou que o mecanismo de revogação constitui um instrumento de participação cidadã previsto na Constituição e não uma tentativa de desestabilização política, como alega o Executivo.

Atualmente, o CNE analisa dois pedidos de destituição contra Noboa e sua vice-presidente, María José Pinto.

A primeira é promovida pelo coletivo Revoca EC, formado, entre outros, pelo advogado Washington Andrade e pelo líder indígena Leonidas Iza, e conta com o apoio da Fenocin, da UNE e de outras organizações sindicais e sociais.

Nesta quinta-feira, o presidente do órgão eleitoral, José Cabrera, informou que o plenário deverá se pronunciar sobre ambos os processos ainda em julho e, caso os admita, entregará os formulários para a coleta de assinaturas.

Enquanto isso, autoridades como a ministra do Governo, Nataly Morillo, sustentam que os pedidos carecem de fundamento jurídico e solicitaram ao CNE que os arquivasse, ao considerar que os promotores buscam utilizar o mecanismo de revogação para questionar a gestão governamental.

oda/avr/bm

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