Quarta-feira, Julho 15, 2026
NOTÍCIA

EUA não conseguiram impedir debate na ONU sobre o bloqueio

Nações Unidas, 7 jul (Prensa Latina) Os Estados Unidos fracassaram hoje em sua tentativa de impedir o debate na Assembleia Geral da ONU sobre o bloqueio a Cuba, enquanto seu representante proferiu um discurso repleto de distorções e mentiras.

Michael Waltz, embaixador do presidente Donald Trump junto à Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou aqui que o bloqueio é um “mito” — assim classificou ele o cerco unilateral econômico, comercial e financeiro que há mais de seis décadas pesa sobre o povo cubano, tentando sufocá-lo.

Durante sua intervenção, e contrariando o que afirmavam outros representantes, Waltz negou a existência de “um embargo ou bloqueio, como queiram chamá-lo” e questionou como é possível que chegue assistência humanitária ao país se, de fato, fosse aplicada essa política que há mais de 30 anos vem sendo condenada pela comunidade internacional neste mesmo plenário da Assembleia Geral.

Ao afirmar que o bloqueio não existe, o próprio embaixador dos Estados Unidos entrou em contradição com o que foi expresso pelo governo que representa, o qual deixou explícitos, em um memorando secreto do Departamento de Estado de 6 de abril de 1960, os fundamentos dessa política genocida contra a ilha.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, que lidera a delegação da ilha nesta 99ª sessão plenária do 80º período da Assembleia Geral, solicitou duas vezes uma questão de ordem.

Rodríguez pediu ao presidente da sessão que “chamasse o representante permanente à ordem”. Ele observou que a Assembleia Geral “não é um acampamento de boinas verdes” e afirmou: “O senhor é um mentiroso, senhor Waltz”.

Em outro momento, o ministro das Relações Exteriores interrompeu o embaixador dos Estados Unidos por se referir “de maneira ofensiva ao meu país” e solicitou ao presidente da sessão plenária “que chamasse à ordem”.

Com 136 votos a favor, nove contra — entre eles os dos Estados Unidos e de Israel — e 30 abstenções, a Assembleia aceitou realizar nesta terça-feira o debate proposto por Cuba sobre a necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto por sucessivos governos norte-americanos à nação insular.

Anteriormente, em sua conta no X, o ministro das Relações Exteriores cubano escreveu que, nessa sessão, defenderia “nosso direito soberano de viver sem cerco energético, sem asfixia externa, sem coerção, sem ameaças de um banho de sangue, sem punição coletiva”.

Além disso, ele denunciou que o governo dos Estados Unidos tentou impedir que a Assembleia Geral da ONU se pronunciasse e procurou pressionar e coagir “a vontade soberana dos Estados-membros”.

A Assembleia Geral da ONU já condenou o bloqueio contra Cuba em 31 ocasiões anteriores, com o apoio majoritário da comunidade internacional.

rgh/dfm/bm

RELACIONADAS

Edicão Portuguesa