O Ministro de Estado do Setor de Recursos Naturais do Ministério da Agricultura, Eyasu Elias, disse à Fana Media Corporation que o país historicamente enfrenta dificuldades com paisagens degradadas, secas recorrentes, inundações e fomes que prejudicaram tanto os meios de subsistência quanto a segurança alimentar nacional.
Elias explicou que, desde a transição governamental de 2018, a Etiópia adotou um modelo liderado pela comunidade para reabilitar bacias hidrográficas e restaurar a produtividade.
“Por meio de marcos legais, incluindo a Proclamação 1223-2020, as comunidades estão agora formando Cooperativas de Usuários de Bacias Hidrográficas, que lhes conferem o mandato para manter e usar de forma sustentável as terras reabilitadas”, observou ele.
A estratégia combina medidas de conservação do solo e da água, como terraceamento, barragens de controle e marcos de divisa, com a integração de mudas agroflorestais, lembrou ele. Nos últimos sete anos, esses esforços não apenas aumentaram a cobertura vegetal, mas também a produtividade agrícola e diversificaram as fontes de alimento.
Ele destacou que a produção de milho aumentou de 2,5 para 4,2 toneladas por hectare, enquanto a produção de trigo cresceu de duas para 3,6 toneladas por hectare.
Enquanto isso, continuou o ministro, as árvores frutíferas plantadas nas fazendas e em estruturas de conservação contribuem para a nutrição das famílias, alimentação animal e oportunidades adicionais de renda.
Ele mencionou a recuperação dos recursos hídricos subterrâneos, possibilitando iniciativas agrícolas de policultura e de cultivo na estação seca, incluindo o Programa de Produção de Trigo Resiliente ao Clima na Estação Seca, que transformou a Etiópia de importadora líquida de trigo em autossuficiente, com potencial para iniciar exportações.
Ele enfatizou que a participação da comunidade é fundamental para o sucesso do programa. Em todas as regiões, as famílias contribuem com 40 a 60 dias de trabalho anualmente, plantando árvores, construindo terraços e mantendo estruturas de conservação.
A Iniciativa Legado Verde, que desde o seu lançamento em 2019 distribuiu bilhões de mudas de árvores para agroflorestamento e restauração ambiental, complementa esses esforços liderados pela comunidade, acrescentou.
O entrevistado concluiu que, ao combinar empoderamento jurídico, treinamento prático e intervenções direcionadas, a Etiópia está criando paisagens resilientes, fortalecendo a segurança alimentar e promovendo benefícios socioeconômicos para suas famílias.
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