O icônico hotel, mais uma vez, vestiu seu traje mais elegante, repleto de história. Suas paredes, acostumadas a testemunhar momentos decisivos na história da nação, foram palco de uma manhã de significado continental, onde o esporte transcendeu as meras estatísticas para se tornar uma narrativa épica, um patrimônio vivo transmitido de geração em geração.
O elegante salão foi o cenário de uma cerimônia carregada de simbolismo, com iluminação aconchegante, aplausos prolongados e uma atmosfera quase cinematográfica, na qual cada nome pronunciado parecia evocar memórias inesquecíveis. Ali, reuniram-se as glórias que, em seu tempo, ergueram a bandeira cubana e latino-americana aos pódios mais exigentes do planeta.
A gala encerrou a 61ª edição da pesquisa, cujos resultados foram anunciados semanas atrás, após votação de mais de 110 veículos de comunicação da América Latina e de outras regiões do mundo.
Pela segunda vez, Cuba dominou todas as três categorias da votação, com a saltadora tripla Leyanis Pérez, o arremessador Liván Moinelo e a seleção juvenil de beisebol 5 roubando a cena.
Pérez, campeã mundial tanto em pista coberta quanto ao ar livre e rainha da Diamond League, era a favorita desde o início da pesquisa, liderando uma categoria que incluía 17 atletas indicados.
Moinelo, campeão de beisebol japonês e MVP da Liga do Pacífico, tornou-se o primeiro cubano a ganhar o prêmio masculino, superando até mesmo o astro argentino Lionel Messi. Enquanto isso, a seleção juvenil de beisebol 5, campeã mundial, protagonizou uma virada emocionante e conquistou o prêmio de melhor equipe.
Um dos momentos mais emocionantes foi o reconhecimento do recordista mundial de salto em altura, Javier Sotomayor, o atleta cubano mais vitorioso da história do atletismo, com cinco títulos. Sua imagem, associada a saltos impossíveis e recordes imortais, foi celebrada como uma ponte entre o passado glorioso e o presente, que ainda se inspira em seu legado.
O evento também homenageou dois gigantes do esporte contemporâneo: o pentacampeão olímpico Mijaín López, símbolo de domínio absoluto e consistência inabalável, e a multimedalhista Omara Durand, a personificação da velocidade e da força de vontade humana levada ao limite. Ambos os vencedores em 2024 receberam uma homenagem que reconheceu não apenas seus títulos, mas também seu impacto universal.
Com a presença da Vice-Primeira-Ministra da República de Cuba, Inés María Chapman Waugh, e do presidente do INDER, Osvaldo Vento, o caráter institucional e emocional da noite foi reforçado. Também estiveram presentes figuras históricas como os velocistas Silvio Leonard e Enrique Figuerola, este último o primeiro vencedor da votação em 1964, quando a Prensa Latina inaugurou uma tradição que hoje é referência no jornalismo esportivo regional.
A votação, que reafirmou seu compromisso com a memória histórica e a justiça, foi dedicada ao quinto aniversário da morte de Diego Armando Maradona, vencedor da votação de 1986, e ao centenário do nascimento do Comandante-em-Chefe Fidel Castro, figura fundamental no desenvolvimento do esporte cubano.
Assim, no Salão Vedado do Hotel Nacional de Cuba, o esporte foi mais uma vez celebrado como uma grande conquista. Mais do que uma cerimônia de premiação, foi uma declaração de identidade, um ato de gratidão e uma confirmação de que essas lendas reunidas continuam a iluminar, com seu exemplo, a trajetória do esporte latino-americano.
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