A intervenção inesperada do presidente dos EUA, Donald Trump, na política hondurenha, três dias antes da eleição, abalou o cenário a ponto de quebrar o chamado silêncio eleitoral, decretado no início da semana pelas autoridades eleitorais para incentivar a reflexão sobre a votação.
Em duas mensagens controversas e intervencionistas, o magnata americano interferiu nos assuntos internos deste país centro-americano, ao apoiar abertamente o candidato presidencial do Partido Nacional (PN), de direita, Nasry Asfura, que sempre figurava em terceiro lugar nas pesquisas.
Sua segunda comunicação nas redes sociais foi para anunciar o indulto do ex-líder nacionalista Juan Orlando Hernández (2014-2022), condenado nos Estados Unidos a 45 anos de prisão por tráfico de drogas.
Conhecido como JOH (pelas iniciais de seu nome), Hernandez liderava um império criminoso protegido por cartéis internacionais que traficavam – segundo provas apresentadas em tribunais dos EUA – mais de 400 toneladas de cocaína para o país do norte.
Além disso, ele usou sua posição para roubar dinheiro dos contribuintes americanos e comprou poder político com capital do crime organizado.
Analistas acreditam, no entanto, que a entrada inesperada de Trump na campanha pode prejudicar as aspirações de Asfura, já que reacende na mente dos eleitores a profunda corrupção do PN, um partido manchado pela condenação de JOH e por décadas de saques e corrupção.
Com sua entrada, o ocupante da Casa Branca enterrou as aspirações do outro candidato de direita, Salvador Nasralla, do Partido Liberal (PL), a outra aposta da ala conservadora nacional e internacional nas eleições gerais deste domingo.
Trump acusou os rivais de Asfura de representarem o “avanço comunista”, aludindo ao candidato liberal e à candidata do partido governista Liberdade e Refundação (Libre), Rixi Moncada, favorita na maioria das pesquisas para suceder sua colega de esquerda, Xiomara Castro.
Naquela que os próprios especialistas interpretam como uma guinada desesperada, especialmente após o apoio de congressistas republicanos de extrema-direita ao candidato do Partido Trabalhista, o presidente dos EUA disse que Nasralla é “pouco confiável”, aludindo à sua instabilidade ideológica.
Até então, o candidato liberal, que viajou aos Estados Unidos diversas vezes durante a campanha, vangloriava-se do suposto apoio da potência do norte.
De acordo com alguns observadores, a posição de Trump revela o óbvio: Nasralla não tinha chance de derrotar Moncada e, num ato de desespero, optou pelo nacionalista.
Os dois fantoches promovidos por Washington estão derrotados, declarou a candidata do Libre em coletiva de imprensa ontem.
“Se me perguntarem por que, três dias antes da eleição, um presidente dos EUA emitiria duas mensagens a favor dos candidatos dos dois principais partidos (nacionalistas e liberais), só posso responder de uma maneira: o senhor está derrotado, Sr. Presidente, seus candidatos fantoches não fizeram jus à sua posição”, ironizou ela.
“E como ele foi derrotado (Trump), teve que sair durante o período de silêncio eleitoral para realizar dois eventos de campanha em frente ao candidato da resistência, que tem o forte apoio do povo hondurenho e que possui uma proposta clara para a democratização da economia”, enfatizou Moncada.
Ela exortou o povo hondurenho a votar em massa para impedir o retorno do narcoestado, estabelecido por JOH, e 130 anos de bipartidarismo opressivo.
A ex-ministra das Finanças e da Defesa do governo Castro afirmou que, em 27 de janeiro de 2026, num ato histórico, uma mulher colocará a faixa presidencial em outra mulher.
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