Sexta-feira, Outubro 30, 2026
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Lula, o homem dos impossíveis que continua fazendo história

Brasília, 26 de out (Prensa Latina) — Luiz Inácio Lula da Silva desafiou, mais uma vez, as previsões e escreveu uma nova página inédita na história brasileira, ao conquistar seu quarto mandato presidencial por meio de uma virada eleitoral sem precedentes no país até hoje.

A vitória tem dimensões extraordinárias. Nenhum outro político brasileiro havia conquistado a Presidência quatro vezes, nem conseguido vencer um segundo turno após ter ficado em segundo lugar na primeira etapa da votação.

O resultado contra o senador Flávio Bolsonaro concretizou um feito que, até poucas semanas atrás, parecia improvável; mas, se alguém era capaz de alcançá-lo, esse alguém era Lula, cuja trajetória é feita, justamente, de “impossíveis”.

O operário metalúrgico que emergiu da classe trabalhadora para se tornar presidente da maior economia latino-americana demonstra, mais uma vez, uma capacidade excepcional de interpretar as aspirações populares, resistir às adversidades e reconstruir maiorias mesmo quando o horizonte parece fechado.

Sua trajetória é, por si só, uma sucessão de acontecimentos extraordinários: líder sindical durante as lutas pela redemocratização, fundador do Partido dos Trabalhadores e vencedor das eleições de 2002, governou o Brasil por dois mandatos consecutivos, entre 2003 e 2010, alcançando uma projeção internacional que o transformou em uma das figuras mais reconhecidas da esquerda mundial.

Depois, veio o encarceramento, em 2018, que o afastou da disputa política. Permaneceu 580 dias na prisão antes de recuperar a liberdade, enquanto as condenações contra ele foram, posteriormente, anuladas pela justiça brasileira.

Quando muitos consideravam sua carreira encerrada, ele retornou às urnas e derrotou Jair Bolsonaro em 2022; e agora, às vésperas de completar 81 anos — neste 27 de outubro —, protagoniza mais um capítulo excepcional. Após ficar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, em 4 de outubro, ele conseguiu reverter o resultado e conquistar seu quarto mandato, em uma eleição que voltou a mobilizar um país profundamente polarizado.

No entanto, essa vitória — na qual Lula obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de seu rival — não pode ser explicada apenas pela figura do mandatário.

Ela pertence também a milhões de brasileiros que ocuparam as ruas, participaram de atos, compartilharam mensagens e transformaram a campanha em uma mobilização coletiva.

A virada teve, nas redes sociais, um de seus cenários decisivos. O chamado “Exército de Lula”, organizado no WhatsApp pelo deputado André Janones, chegou a reunir quase 11 milhões de integrantes.

A partir desse espaço, o parlamentar — alçado por seus seguidores ao posto de “general” da tropa digital — impulsionou convocações, orientou ações e contribuiu para multiplicar a presença de mensagens favoráveis ​​ao presidente.

A iniciativa demonstrou como o conhecimento sobre algoritmos, as dinâmicas de circulação de conteúdos e a participação organizada podem ser colocados a serviço de uma campanha política.

Mas Janones também sintetizou uma lição fundamental: as redes, por si sós, não ganham eleições; a força digital precisava encontrar a mobilização nas ruas.

E lá estavam os militantes, os movimentos sociais, os trabalhadores, os jovens e os cidadãos que assumiram como sua a disputa pelo futuro do país.

A vitória de Lula é, portanto, a de um líder que demonstrou grande capacidade de sobrevivência política, mas também a de uma multidão que decidiu não ficar à margem da história.

Em conversas com apoiadores do chefe de Estado, costumam surgir vários elementos comuns a essa luta compartilhada: a necessidade de proteger a soberania nacional e derrotar a extrema-direita, a preservação dos programas sociais e a defesa da democracia. Vivemos um momento em que é preciso escolher entre a democracia e os bolsonaristas, comentou neste domingo à Prensa Latina a brasileira Ana Paula Caldas, na saída de um local de votação no Distrito Federal.

Na mesma linha, Célia Chaves de Souza lembrou que o povo brasileiro teve de lutar muito para conquistar a democracia no período posterior à ditadura militar, e expressou seu receio de que uma vitória de Flávio Bolsonaro ameaçasse essa e outras conquistas sociais.

Para ambas, e para muitos outros apoiadores de Lula, o chefe de Estado representava justamente a forma de enfrentar esses riscos.

Assim, enquanto o Brasil abre um novo capítulo de sua história democrática, Lula volta a demonstrar que sua trajetória ainda reserva espaço para o surpreendente.

Mas, desta vez, o feito não leva apenas o seu nome: pertence também a milhões de brasileiros que se mobilizaram para transformar o que parecia impossível em uma vitória coletiva.

nmr/mar/tc

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