Quarta-feira, Outubro 14, 2026
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Cerrado brasileiro perde vegetação nativa próxima a rios

Brasília, 8 out (Prensa Latina) O Cerrado brasileiro perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em áreas situadas a até 500 metros de rios e outros cursos d'água entre 1985 e 2025, divulgou hoje a rede multi-institucional MapBiomas.

A superfície afetada equivale aproximadamente ao território do estado do Amapá e representa 26,9% de toda a vegetação nativa convertida para outros usos na referida área durante essas quatro décadas.

Esses dados fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas, que reúne mapas anuais sobre cobertura e uso da terra no Brasil durante o período mencionado.

Segundo a fonte, a perda de vegetação próxima aos cursos d’água pode comprometer a qualidade e a disponibilidade da água e aumentar a vulnerabilidade da paisagem a fenômenos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas.

Bárbara Costa, analista de pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e integrante da equipe do Cerrado no MapBiomas, destacou que a vegetação próxima aos rios protege o solo, reduz a erosão e evita o carreamento de sedimentos para os cursos d’água.

Entre as seis grandes bacias hidrográficas que nascem no Cerrado, a do Alto Tocantins registrou a maior perda de vegetação nativa próxima aos rios, com 2,9 milhões de hectares a menos no período estudado.

Em seguida, veio a bacia do Araguaia, com uma redução de 2,7 milhões de hectares; juntas, ambas concentraram 41% de toda a perda de vegetação nativa registrada.

A degradação da cobertura vegetal também se reflete no conjunto do Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, com cerca de 200,4 milhões de hectares. De 1985 a 2025, o Cerrado sofreu uma perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa, o que equivale a uma redução de 34%.

A formação de savana foi a mais afetada, com o desaparecimento de 34 milhões de hectares, seguida pela vegetação florestal (12,8 milhões) e pela campestre (3,6 milhões).

Além disso, a expansão agropecuária foi o principal destino das áreas convertidas, e sua superfície passou de 46,7 milhões de hectares em 1985 para 97,9 milhões em 2025, chegando a ocupar 48,9% do bioma.

Em 2025, as áreas de pastagem e agricultura ocupavam, juntas, 18,2% da faixa situada a até 30 metros dos rios.

Por outro lado, o estudo apontou que 301 municípios deixaram de ter predominância de vegetação nativa em seu território de Cerrado.

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