Segundo o acadêmico, em um cenário em que ambos os polos políticos estão praticamente empatados nas pesquisas e disputam a presidência, os votos dos indecisos podem ser decisivos nas eleições, cujo primeiro turno acontece em 4 de outubro.
“Esta eleição será decidida por uma pequena parcela dos eleitores que permanecem indecisos”, afirmou Lodi em entrevista à Prensa Latina. Ele explicou que ambos os blocos estão tentando convencer esse segmento apresentando argumentos sobre as consequências de cada candidatura.
Professor de Direito Financeiro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e ex-reitor da instituição, Lodi afirmou que Lula está tentando atrair eleitores indecisos com um discurso focado na defesa da democracia e da soberania nacional, especialmente diante das pressões externas que o Brasil vem sofrendo.
“Lula encontrou ressonância nesse segmento da população ao apelar para a democracia e a soberania”, afirmou o acadêmico, relacionando esse discurso às tensões entre Brasil e Estados Unidos e às medidas comerciais adotadas por Washington contra o gigante sul-americano.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Direito Tributário, a política externa é, portanto, um fator relevante nas decisões dos eleitores.
Em sua interpretação, as ações internacionais de Lula colocaram o Brasil em uma posição de maior autonomia em relação aos interesses estadunidenses.
Ele também expressou preocupação com a possibilidade de que setores responsáveis por ataques contra instituições brasileiras após as eleições de 2022 possam tentar novamente uma ruptura institucional em caso de derrota de Flávio Bolsonaro.
Assim, Lodi colocou a questão democrática entre os argumentos que, em sua visão, o partido governista utiliza para convencer os eleitores indecisos. Outra questão que ele considera capaz de influenciar as decisões dos eleitores é a preocupação com a corrupção. Em particular, mencionou o escândalo do Banco Master e suas repercussões para figuras ligadas aos três poderes do Estado.
Segundo o jurista, o caso gera preocupação com o que ele considera uma possível institucionalização de práticas corruptas.
Ele também se referiu às supostas ligações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está no centro desse escândalo, e Flávio Bolsonaro.
A religião também é um componente da disputa pelos votos. O acadêmico mencionou declarações de bispos católicos que pediram aos eleitores que considerassem a democracia, o Evangelho e a defesa dos pobres ao votarem. De acordo com Lodi, essa postura provocou uma reação na campanha de Flávio Bolsonaro, que interpretou as declarações dos bispos como um apoio a Lula.
Além da disputa interna, o acadêmico atribuiu uma dimensão internacional às eleições brasileiras. Em sua opinião, o país representa atualmente um espaço de resistência às políticas dos EUA em relação à América Latina.
“Hoje, o Brasil representa uma grande resistência às políticas imperialistas dos Estados Unidos”, afirmou o jurista, que invocou a Doutrina Monroe para descrever o que considera uma tentativa histórica de Washington de manter a dominância sobre o continente.
Nesse contexto, Lodi estimou que o resultado da eleição terá repercussões que transcendem as fronteiras brasileiras. “A importância da reeleição de Lula não é apenas para o Brasil, mas também para a geopolítica internacional”, afirmou.
Do seu ponto de vista, se o presidente brasileiro for reeleito, “ele continuará sendo uma pedra no sapato das intenções do governo estadunidense de exercer controle sobre todos os países, particularmente na América Latina”.
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