Sexta-feira, Outubro 16, 2026
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Exercício físico é considerado subutilizado no tratamento da dor

Canberra, 29 set (Prensa Latina) O exercício físico continua sendo subutilizado como tratamento para a dor e raramente é prescrito com a mesma precisão que a medicação; e, quando recomendado, a abordagem costuma ser vaga ou mal adaptada.

Os pacientes geralmente recebem orientações genéricas para se manterem ativos, em vez de prescrições de exercícios baseadas em evidências, aponta um artigo publicado na revista Journals.lww.com.

Mesmo que uma pessoa sofra frequentemente de enxaquecas, dores menstruais ou dor crônica, o exercício pode ajudar a amenizar os sintomas de maneira semelhante aos analgésicos comuns, afirmam pesquisadores da Universidade de Adelaide, na Austrália.

A equipe analisou como o tipo de exercício, sua intensidade e duração influenciavam no alívio da dor.

No geral, a atividade física reduziu a dor em cerca de 1,1 ponto em uma escala de zero a dez, uma diminuição aproximadamente 60% maior do que o alívio médio registrado com os medicamentos comuns em ensaios independentes sobre dor crônica.

O exercício de baixa intensidade proporcionou maior alívio da dor do que as atividades moderadas ou vigorosas, e os programas mais curtos, de cerca de 12 semanas, apresentaram efeitos superiores aos de maior duração.

A fonte explica que os médicos muitas vezes não se sentem confiantes para recomendar protocolos específicos nesse aspecto.

Essa lacuna persiste apesar das evidências convincentes de que o exercício pode produzir reduções significativas da dor em diversas condições, atuando por meio de efeitos anti-inflamatórios, modulação neuroimunológica e regulação central da dor.

Ao contrário dos medicamentos, o exercício oferece benefícios duradouros, melhor saúde geral e efeitos colaterais mínimos quando prescrito adequadamente.

Um reumatologista — por exemplo — que trata a fibromialgia pode encontrar evidências sólidas a favor da ioga, enquanto um médico que lida com osteoartrite deve se basear no treinamento de resistência.

Mas nenhum deles tem uma visão clara sobre se esses representam mecanismos terapêuticos fundamentalmente diferentes ou variações do mesmo tema, critica o artigo.

Médicos e gestores da saúde devem observar até que ponto os efeitos do exercício se generalizam em diferentes condições de dor; quais modalidades se associam de forma mais consistente ao benefício; e como a dosagem, a duração e a intensidade podem ser otimizadas para maximizar os efeitos analgésicos.

Sem respostas claras, a prescrição de exercícios continua inconsistente, com recomendações bem-intencionadas, mas vagas, que podem ser subótimas ou até mesmo contraproducentes.

Isso representa uma grande oportunidade perdida em um momento em que a assistência médica precisa urgentemente de alternativas seguras e eficazes às abordagens farmacêuticas.

Os profissionais de saúde precisam de orientações definitivas, não apenas sobre se o exercício ajuda, mas quais formas funcionam, para quais pacientes e como prescrevê-las de maneira eficaz

O que é necessário — segundo o artigo do Journals.lww.com — é uma síntese abrangente com poder estatístico suficiente para identificar padrões consistentes e gerar novas recomendações clínicas.

mem/joe/bm

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