O Ministro do Meio Ambiente e Segurança Energética da Itália, Gilberto Pichetto, afirmou em entrevista publicada neste domingo no jornal La Repubblica que a situação constitui “uma grande emergência” e indicou que o governo do país está avaliando intervenções para apoiar o setor produtivo diante do aumento dos custos de energia.
Pichetto questionou as prolongadas negociações com a Comissão Europeia sobre o chamado Decreto Bollette, um conjunto de medidas urgentes aprovadas pelo governo italiano para conter o impacto dos altos custos de eletricidade e gás nas contas de residências e empresas.
O ministro explicou que uma das medidas em discussão envolve a eliminação da diferença de preço adicional que a Itália paga pelo gás em comparação com o preço de referência europeu.
Segundo suas declarações, Roma está considerando implementar essa medida mesmo que a Comissão Europeia inicie um processo por infração.
“Essas negociações intermináveis precisam acabar”, afirmou, defendendo também a adoção de medidas “no interesse nacional”.
A questão é particularmente relevante para a Itália devido ao impacto dos custos de energia em sua indústria.
Pichetto observou que a União Europeia estabeleceu limites para o uso de certas deduções orçamentárias em programas sociais ou aqueles diretamente voltados para a redução de preços, mas argumentou que os aumentos atuais estão afetando a capacidade dos setores industriais de manterem suas operações.
Nesse contexto, o Ministério do Meio Ambiente e Segurança Energética e o Ministério da Economia da Itália estão estudando medidas de apoio às empresas, explicou o ministro ao jornal.
A possível decisão de avançar com certas medidas sem aguardar a aprovação europeia pode desencadear uma nova disputa entre Roma e Bruxelas sobre o escopo de atuação dos Estados-membros diante da crise energética.
O governo italiano terá que definir nas próximas semanas tanto os mecanismos de apoio às empresas quanto o escopo das medidas destinadas a reduzir o custo do gás e da eletricidade, em um contexto marcado pela volatilidade internacional nos mercados de energia.
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