Terça-feira, Setembro 29, 2026
NOTÍCIA

Ameaças e agressões em um cenário explosivo em Ceuta

Madri, 21 de set (Prensa Latina) Ameaças de uma nova onda de migrantes irregulares vindos do Marrocos, somadas a agressões físicas e verbais, intensificam hoje o cenário explosivo na cidade autônoma espanhola de Ceuta.

O chanceler espanhol, José Manuel Albares, e o ministro responsável pelo comando único de Ceuta, Ángel Víctor Torres, afirmaram que há conversas em andamento com o Marrocos para neutralizar a convocação para um fluxo massivo de pessoas nesta quarta-feira, dia 23.

Segundo diversas fontes, as redes sociais estão convocando as pessoas a retornarem à fronteira de Ceuta, aproveitando o fato de que as eleições legislativas no país magrebino estão marcadas para o dia 23, o que poderia resultar em uma suposta falta de vigilância nas fronteiras comuns.

Embora os números não sejam totalmente precisos, Torres afirmou que, dos 72 mil migrantes ilegais que entraram em solo de Ceuta nos dias 30 e 31 de julho passado, a maioria retornou ao Marrocos e cerca de oito mil permanecem em acampamentos preparados para o registro.

Além disso, outros 3.500 aguardam realocação e atualmente vagam pela cidade. “Assim que tivermos o registro de todos, procederemos à repatriação ou à concessão de asilo, se for o caso”, adiantou o titular da pasta de Política Territorial em entrevista à TVE.

Por outro lado, nas últimas horas ocorreu uma agressão contra o veículo de uma deputada do partido Ceuta Ya! e de seus acompanhantes; o incidente foi classificado por fontes do governo como um ato instigado pela direita e pela ultradireita.

Ontem, um grupo de moradores de Ceuta apedrejou o carro da parlamentar por acreditar que se tratava de integrantes da associação basca “Negu Gorriak/Derecho a Techo”, segundo fontes extraoficiais. A ministra da Juventude e Infância, Sira Rego, ressaltou em declarações à emissora SER que as palavras nunca são “neutras” e que falar em “invasão” da cidade autônoma, como fazem a “direita e a extrema direita”, permite “criar um clima” que prejudica a convivência.

“Começa-se convocando uma caçada a migrantes e termina-se perseguindo qualquer divergência política em nosso país (…); há uma responsabilidade política, e é preciso dizer isso claramente”, afirmou.

Enquanto o chefe de governo, Pedro Sánchez, pedia à oposição que se pronunciasse e condenasse a agressão à deputada de Ceuta, o líder do conservador Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, exigia dele ações concretas.

Em sua quarta visita a Ceuta, Feijóo apontou que tanto o Pacto de Migração e Asilo quanto o Regulamento de Retorno permitem o retorno “imediato” dos imigrantes que entraram na cidade autônoma no final de julho.

Aproveitou para criticar o fato de o governo Sánchez ter “ignorado” esse mecanismo, que permite “uma gestão agilizada de retornos se solicitada a Bruxelas”.

“Não apenas para solucionar o retorno das 13 mil pessoas que ainda permanecem irregularmente na Europa, mas para contribuir para que isso não volte a acontecer”, destacou Feijóo, acompanhado pelo presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, e pelo líder do PPE, Manfred Weber.

O líder do PP condenou de forma “firme” a agressão contra a deputada de Ceuta e outras pessoas: “Na democracia, a violência não tem lugar sob nenhuma circunstância”, acrescentou.

mem/ft/glmv

RELACIONADAS

Edicão Portuguesa