Terça-feira, Setembro 29, 2026
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Agronegócio do Mercosul com Perspectivas de Crescimento

Buenos Aires, 23 set (Prensa Latina) Apesar de enfrentar um mundo com novas complexidades, o setor agroindustrial do Mercosul apresenta perspectivas de crescimento sustentado até 2035/2036, impulsionado pela integração regional e maior acesso aos mercados globais.

Ramiro Costa, gerente-geral da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, delineou uma perspectiva positiva com aumentos na produção, exportações e receita nos próximos 10 anos, apresentando as projeções do bloco na 3ª edição do Mercosul Outlook, organizada por essa entidade empresarial.

Entre os desafios que esse setor vital enfrenta está o declínio da população mundial, projetado para cair dos atuais 752 bilhões para 649 bilhões em 2036, levando, consequentemente, a um menor consumo de alimentos. Outro fator negativo é que a Ásia, apesar de seu peso significativo na economia internacional, apresentará um crescimento econômico mais lento na próxima década, observou Costa.

Em sua apresentação, ele afirmou que, apesar desses desafios, a produção agroindustrial, as exportações e as receitas do Mercosul aumentarão nos setores de grãos, oleaginosas e carnes, com o Brasil e a Argentina como principais impulsionadores do mecanismo regional.

Projeta-se um aumento de 18,7% na produção de cereais e oleaginosas nos próximos 10 anos, atingindo 591,5 milhões de toneladas, o que geraria US$ 20,7 bilhões adicionais em exportações agroindustriais.

Por produto, a Argentina contribuirá com 30% da produção de milho e o Brasil com 24%, totalizando quase 52 milhões de toneladas. Os produtores brasileiros de soja liderarão a produção com 75% do crescimento regional, enquanto a Argentina contribuirá com 17%, para um total combinado de 34 milhões de toneladas.

Os produtores agrícolas argentinos contribuirão com 1,5 milhão de toneladas de trigo para o crescimento das exportações líquidas do Mercosul, representando três quartos da produção esperada do bloco.

Os quatro países membros do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — expandirão sua área plantada em 9,6% na próxima década, e as exportações totais aumentarão 18,1%, impulsionadas pelo forte crescimento da bioenergia e da pecuária.

Para essas quatro nações, o agronegócio está consolidando sua posição como o principal motor de divisas, com a Argentina e o Brasil desempenhando um papel central na expansão da produção e da competitividade internacional.

Entre os fatores que contribuirão para essa perspectiva positiva está o Acordo Mercosul-União Europeia (formalmente assinado em janeiro de 2026), que desempenhará um papel estratégico ao abrir 99,5% das exportações do bloco para a União Europeia, eliminando tarifas sobre 92% dos produtos, observou Costa.

O 3º Panorama do Mercosul fez parte da décima edição do lançamento da Campanha de Grãos 2026-2027 (soja, milho, girassol e sorgo) na Argentina, organizada pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

A programação incluiu os painéis “A Nova Campanha: Perspectivas e Desafios para a Agricultura Argentina”, “Mercosul 2036: Uma Visão de Dez Anos da Agricultura Regional” e “Agricultura do Mercosul Rumo a 2036: Visão e Agenda do Governo”.

Este último foi um diálogo de alto nível entre o Secretário Executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, Cleber Oliveira, e o Secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do Ministério da Economia da Argentina, Sergio Iraeta.

Ambos os representantes discutiram o potencial produtivo regional, desafios comuns, oportunidades de integração e prioridades de políticas públicas.

O quarto painel abordou o tema “O Futuro do Comércio do Agronegócio: Tendências, Riscos e Oportunidades”.

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