De Havana vieram também médicos legistas, engenheiros estruturais e especialistas em salvamento e resgate, que compareceram em solidariedade ao povo venezuelano diante da considerada “maior tragédia natural” da história deste país, que deixou até a data mais de cinco mil e 500 mortos e 16 mil feridos.
Nós nos dividimos em três grupos, em distintos Centros de Diagnóstico Integral, com o compromisso de atender à população diante deste acontecimento, declarou em diálogo com a Prensa Latina.
Estes homens e mulheres viajaram para a República Bolivariana em representação do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastres e Grandes Epidemias Henry Reeve, com uma história de 21 anos salvando vidas em qualquer lugar onde sejam solicitados.
A equipe de trabalho foi integrada por neurocirurgiões, anestesiologistas, ortopedistas e cirurgiões gerais, além de “três companheiras de bucomaxilofacial, dadas as lesões que podem ocorrer nestes eventos”, apontou.
Perguntado sobre o trabalho realizado assim que chegaram ao solo venezuelano em 29 de junho, o especialista cubano declarou que trabalharam como “sempre fizemos” e ainda mais na Henry Reeve, onde se reforça o trabalho “motivado pelas características destes eventos”.
Com uma longa trajetória em outras missões internacionalistas em países como Nicarágua, sua primeira em 1986, Granada, Camboja, Belize, México, entre outras, o médico cirurgião manifestou que os terremotos resultam em algo “muito traumático” e a população, qualquer tipo de ajuda que se lhe preste, “vê como algo muito grande”.
Sobre o trabalho do Contingente Internacional na Venezuela, a poucos dias da comemoração do Centenário do nascimento de seu fundador, o líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, não pensou duas vezes para dizer que “é dedicada ao Comandante em Chefe”.
Este grupo de apoio médico humanitário foi criado em 19 de setembro de 2005 para prestar assistência à população dos Estados Unidos afetada pelo furacão Katrina e, desde então, socorreu países em casos de epidemias, terremotos e outros desastres naturais.
Em seu discurso de constituição, o líder cubano afirmou que “nós oferecemos formar profissionais dispostos a lutar contra a morte. Nós demonstraremos que há resposta para muitas das tragédias do planeta (…) Nós demonstramos o valor da consciência e da ética. Nós oferecemos vidas”.
Na opinião do profissional de saúde cubano, é muito difícil separar o “nosso trabalho médico de não ter a presença permanente do Comandante em Chefe, porque ele sempre pensou em nós como nós pensamos nele”.
Isto, próximo ao seu Centenário em 13 de agosto, “com certeza nos mexe com os sentimentos, orgulho, satisfação, e pensando sempre que podemos fazer um pouco mais”, sublinhou.
Quando se fala de Henry Reeve, o jovem norte-americano que se uniu para lutar por Cuba na Guerra dos Dez Anos (1868-1878), “pensamos imediatamente em Fidel, no Katrina e na brigada, e em todo mundo pronto para sair”, expressou.
Isso tem sido o que nos motivou sempre nesta brigada e prova disso é isto; a vida coloca a fatalidade com os dois terremotos e, no entanto, nos dá a possibilidade de vir para “demonstrar o que Fidel com tanta visão criou”.
Citando o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika (1999-2019), o professor auxiliar ressaltou que “Fidel ia, via o futuro, voltava, tomava medidas e isto é uma prova”, asseverou.
Ele criou este contingente e quem diria que, depois de anos de seu falecimento (em 2016), desgraçadamente, para o seu Centenário ocorre um terremoto e a “Henry Reeve volta a cavalgar na Venezuela, um país que nos une a sentimentos muito próximos”, afirmou.
O chefe de cirurgia do Hospital Docente Clínico Cirúrgico Joaquín Albarrán, em Havana, disse ter familiares que nasceram nesta terra e que foi ela que deu “abrigo ao meu pai durante a ditadura” de Fulgencio Batista (1952-1959), o que “implica um compromisso e penso em Chávez, em uma quantidade de coisas que aconteceram”.
Sobre a condecoração “Heróis da Venezuela” outorgada pelo Governo bolivariano e recebida das mãos do ministro das Relações Exteriores Félix Plascencia, em ato presidido pela presidente encarregada Delcy Rodríguez, Roges Fariñas assinalou que “nos pegou emotivos porque não esperávamos tanto”.
“Chegamos aqui (ao Centro de Arte La Estancia, em Caracas) sem saber para o que vínhamos e fomos pegos de surpresa pela entrega desta medalha, incluindo eu que sou o mais velho da brigada”, disse entre risos. Ao avaliar o reconhecimento, criado pelo Executivo para homenagear venezuelanos e estrangeiros que participaram dos trabalhos de salvamento e resgate após os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter, o médico assegurou que “realmente sentimos isso muito no fundo, ao bom estilo cubano, mexeu com nossas estruturas”.
Nesta segunda-feira, os homens e mulheres do Contingente Internacional de Médicos Especializados retornarão a Cuba com a satisfação do dever cumprido e o compromisso de que “estaremos prontos para qualquer outra situação que se apresente na Venezuela ou em outro lugar, a Henry Reeve é permanente”, reafirmou.
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