Quarta-feira, Julho 15, 2026
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Mercado brasileiro vê ineficaz a atuação de Flávio Bolsonaro nos EUA

Brasília, 9 jul (Prensa Latina) Representantes do mercado financeiro e do setor privado do Brasil consideraram ineficaz a participação do senador Flávio Bolsonaro em uma audiência do governo dos EUA sobre novas tarifas de 25%, informou hoje o jornal O Globo.

De acordo com o veículo, empresários e gestores financeiros avaliaram que a presença do senador poderia ter contribuído para a defesa dos interesses brasileiros se ele tivesse apresentado argumentos técnicos sobre os efeitos econômicos do aumento das tarifas.

No entanto, eles afirmaram que Bolsonaro concentrou parte de sua intervenção em questões políticas internas do Brasil, o que causou decepção entre representantes dos setores afetados pela possível medida comercial.

Durante sua intervenção de cerca de cinco minutos perante o Gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o senador defendeu o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos Pix, um dos pontos questionados pela investigação norte-americana.

Segundo o jornal O Globo, o pré-candidato à presidência pelo Partido Liberal afirmou que o Pix ampliou a inclusão financeira e beneficia também as empresas americanas emissoras de cartões, ao considerar que ambos os sistemas são complementares e não concorrentes.

Ele também pediu que o governo norte-americano não imponha as novas tarifas aos produtos brasileiros e argumentou que o gigante sul-americano realizará eleições presidenciais em outubro, por isso considerou inoportuno adotar agora uma medida que poderia ser difícil de reverter posteriormente.

Empresários consultados pelo jornal classificaram a participação como “decepcionante” e apontaram que esperavam uma exposição centrada nos impactos da tarifa sobre o comércio bilateral e as exportações brasileiras.

O especialista Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, declarou ao O Globo que a participação do senador teve um efeito limitado e dificilmente influenciará mais do que os argumentos técnicos apresentados por empresas e associações durante o processo de consultas do USTR.

Da mesma forma, o estrategista-chefe da MZM Wealth, Paulo Bittencourt, considerou que a intervenção foi neutra em relação à decisão comercial dos Estados Unidos, embora tenha estimado que ela possa ter consequências negativas para uma eventual candidatura presidencial de Bolsonaro.

O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega afirmou ao jornal que o USTR é um órgão de caráter técnico e dificilmente alterará uma decisão de política comercial apenas devido à proximidade das eleições brasileiras.

Segundo O Globo, o processo de consultas públicas faz parte do procedimento realizado pelo governo dos Estados Unidos antes de decidir se aplicará uma tarifa adicional de 25% a determinados produtos importados do Brasil.

mem/mar/bm

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