Quinta-feira, Julho 16, 2026
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Organização indígena do Equador denuncia ameaças ao seu presidente

Quito, 8 jul (Prensa Latina) A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) denunciou hoje ameaças contra seu presidente, Marlon Vargas, no contexto do conflito por um território ancestral na província amazônica de Napo.

Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira nas redes sociais, a organização indígena alertou sobre “incitações à agressão” dirigidas contra Vargas.

A Conaie responsabilizou o pessoal e a equipe de segurança ligada à empresa Terra Turismo S.A. por qualquer ato de intimidação ou violência que afete o líder ou as comunidades mobilizadas em defesa do território.

O coletivo alertou que os fatos ocorrem em meio à defesa do território ancestral de Tzawata-Ila Chukapi e à Assembleia Regional Extraordinária da Confederação das Nacionalidades Indígenas da Amazônia Equatoriana (Confeniae).

A organização afirmou que as ações denunciadas fazem parte de uma estratégia para dividir as comunidades, colocar os moradores uns contra os outros e agravar o conflito territorial.

A denúncia surge depois que a Conaie e a Aliança pelos Direitos Humanos alertaram, no início de junho, sobre uma tentativa de despejo da comunidade kichwa Tzawata-Ila Chukapi, que deixou três pessoas feridas.

De acordo com ambas as entidades, naquele momento cerca de 200 pessoas supostamente ligadas à Terra Turismo S.A. invadiram o território ancestral com armas brancas, lanças, motosserras e maquinário pesado, fato que os moradores interpretaram como uma tentativa de despejo forçado.

O conflito remonta, segundo as organizações indígenas, a uma disputa de mais de uma década por aproximadamente 627 hectares de território ancestral que teriam sido atribuídos à Terra Turismo S.A. por meio de procedimentos que consideram irregulares.

A empresa, por sua vez, negou se dedicar a atividades de mineração e se apresenta como uma empresa agrícola.

Diante da situação, a Aliança pelos Direitos Humanos solicitou ao Estado equatoriano que adotasse medidas urgentes para proteger a integridade dos moradores da comunidade, prestasse atendimento médico aos feridos e investigasse de forma independente os fatos denunciados.

A Confederação dos Povos da Nacionalidade Kichwa do Equador (Ecuarunari) também repudiou o ocorrido e afirmou que os fatos constituem uma violação dos direitos coletivos dos povos e nacionalidades indígenas.

rc/avr/bm

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