Em suas observações sobre os resultados da diplomacia russa em 2025, o ministro enfatizou que “testemunhamos eventos sem precedentes: uma brutal invasão armada da Venezuela pelos Estados Unidos, com dezenas de mortos e feridos, e o sequestro do presidente legítimo, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores”.
Paralelamente a essas ações, também testemunhamos ameaças contra Cuba e outros países da América Latina e do Caribe, observou o ministro russo.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia alertou na terça-feira que a política global é atualmente regida pela lei do mais forte, aludindo às recentes demonstrações de força dos Estados Unidos ao redor do mundo.
“As regras sobre as quais a ordem mundial deveria se basear foram apagadas. Hoje, prevalece a lei do mais forte”, disse Lavrov, fazendo um balanço de seu governo em 2025 em uma coletiva de imprensa.
O diplomata enfatizou que as consequências da política do mais forte são sentidas não apenas nos países do Sul Global ou do Leste Global, mas também na própria esfera ocidental, referindo-se às reivindicações dos EUA sobre a Groenlândia, uma ilha pertencente à Dinamarca.
“Dentro da própria comunidade ocidental, tendências rumo à crise estão se acumulando. A Groenlândia é um exemplo claro que está na boca de todos, e em torno do qual estão sendo desencadeados debates que antes eram difíceis de imaginar, particularmente em relação à futura existência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) como um bloco político e militar ocidental unido”, destacou.
Nesse contexto, o chefe da diplomacia russa ressaltou que seu país defenderá firmemente seus interesses nacionais.
Ele também observou que o conceito de segurança e cooperação euro-atlântica foi desacreditado, razão pela qual devemos falar em segurança eurasiática, e que os últimos compromissos com a OTAN privam completamente o bloco de sua independência, embora a Europa esteja atualmente tentando recuperá-la.
“Há apelos para o estabelecimento de um sistema de segurança sem os Estados Unidos, digamos, um sistema exclusivamente europeu. Aliás, sugere-se que a Ucrânia seja naturalmente integrada a esse sistema. Essa é, mais uma vez, a questão…” “Criar algum tipo de estrutura contra a Rússia”, acrescentou.
Por fim, Lavrov afirmou que “permitir que o regime de Kiev se rearme e lhe dê a oportunidade de recuperar suas forças e atacar a Federação Russa mais uma vez, agindo como instrumento dos europeus ocidentais enlouquecidos, é um luxo que não podemos nos dar.”
Segundo o ministro, propostas para a resolução do conflito ucraniano “que se baseiam na manutenção do regime nazista na parte da Ucrânia que será chamada assim são, obviamente, absolutamente inaceitáveis.”
Lavrov observou que o governo dos EUA propôs opções para a resolução do conflito que levam em consideração a necessidade de abordar suas causas profundas, mas a Europa está tentando desviar a atenção dos Estados Unidos dessa posição e promover a ideia de um cessar-fogo na Ucrânia.
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