Sábado, Janeiro 17, 2026
NOTÍCIA

Argentina: direitos humanos em alerta após nomeações

Buenos Aires, 17 jan (Prensa Latina) Com a nomeação de Bryan Mayer como chefe de gabinete da Subsecretaria de Direitos Humanos, o órgão que liderou o processo Memória, Verdade e Justiça completa sua transformação em um bastião de defensores da última ditadura.

Este é o alerta emitido no sábado pelo jornal Página12, em um artigo da comentarista Luciana Bertoia, especialista no assunto, que também observa que os altos funcionários dessa agência governamental agora defendem o “perdão” dos perpetradores ou se deixam influenciar por mensagens de “concórdia política”.

Além de Mayer, ela mencionou seu superior, Joaquín Mogaburo, nomeado pelo Ministério da Justiça como subsecretário de Direitos Humanos, e Alfredo Mauricio Vitolo, que atuava como diretor nacional de assuntos jurídicos do departamento desde outubro passado.

“A organização — que em outros tempos foi uma importante força motriz para o processo de Memória, Verdade e Justiça — é hoje um bastião onde seus líderes defendem, ou pelo menos justificam, as ações das Forças Armadas”, enfatiza o jornal.

E cita o ex-secretário de Direitos Humanos, Horacio Pietragalla Corti: “Não é surpreendente.

É natural que o governo nacional esteja insistindo em teorias que já foram refutadas pelas condenações proferidas no país. No entanto, existe uma resistência que ainda defende as reivindicações da Memória, Verdade e Justiça.”

O jornal também cita Victoria Montenegro, que até dezembro presidiu a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa da Cidade de Buenos Aires: “Cinquenta anos após o golpe, fica claro que a memória é contestada.”

“Eles (o governo de Javier Milei) estão avançando com seu plano de apagar a memória para reescrever a história, e nós estamos nos reorganizando para defendê-la em nome daquela geração que se dispôs a dar a vida para que o povo pudesse viver com dignidade. Esse é o nosso desafio: aprender com o que as Mães e Avós fizeram”, conclui.

Sobre Mayer, Bertoia destaca que “ele tem um passado controverso: se apresenta como porta-voz das Forças Armadas e teve seu momento de glória em outubro de 2023, quando classificou o filme Argentina, 1985 como ‘pró-terrorista’”. Ele esteve envolvido em outros incidentes que refletem sua recusa em processar os repressores sanguinários.

Com Mogaburo, o governo libertário espera aprofundar os cortes orçamentários em instituições de direitos humanos, como o Centro Internacional para a Promoção dos Direitos Humanos, que supervisiona o Arquivo Nacional da Memória (ANM) e o Museu do Sítio ESMA.

Quatorze cargos de alto escalão já foram eliminados (…) e o quadro de funcionários foi reduzido pela metade, o que implica uma economia anual de 13,55 bilhões de pesos, vangloriou-se o Ministro da Justiça, Mariano Cúneo Libarona, ao anunciar sua nomeação.

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