Terça-feira, Janeiro 13, 2026
NOTÍCIA

Caça às baleias no Brasil remonta a 5.000 anos

Washington, 13 jan (Prensa Latina) Comunidades indígenas do sul do Brasil caçavam grandes cetáceos há 5.000 anos, cerca de 1.000 anos antes das primeiras evidências documentadas em sociedades do Ártico e do Pacífico Norte, segundo um estudo publicado hoje na Nature Communications.

O estudo mostra que os povos da região da Baía de Babitonga (Santa Catarina), construtores dos conhecidos sambaquis — montículos monumentais de conchas erguidos por sociedades do Holoceno ao longo da costa brasileira — desenvolveram tecnologias especializadas para a caça de grandes baleias muito antes do que indicavam as pesquisas arqueológicas anteriores.

De acordo com os autores, Krista McGrath e André Colonese, do ICTA-UAB, juntamente com uma equipe internacional, esses resultados redefinem o papel das comunidades sul-americanas no surgimento de culturas marítimas complexas. Até então, a origem da caça às baleias era atribuída às sociedades pós-glaciais do Hemisfério Norte, entre 3.500 e 2.500 anos atrás.

Como parte da pesquisa, os cientistas analisaram centenas de restos ósseos de cetáceos e ferramentas de osso provenientes de sambaquis (sítios de pesca) na Baía de Babitonga, atualmente abrigados no Museu Arqueológico dos Sambaquis em Joinville, Brasil.

Muitos desses sítios desapareceram, tornando esta coleção um arquivo excepcional de uma história que não poderia ser reconstruída de outra forma.

A equipe combinou métodos zooarqueológicos, análise tipológica e técnicas moleculares de ponta, como o ZooMS (zooarqueologia utilizando espectrometria de massa), para estudar ossos e objetos feitos de osso de cetáceo.

Eles identificaram restos de baleias-francas-austrais, baleias-jubarte, baleias-azuis, baleias-sei, cachalotes e golfinhos, muitos com marcas de corte nítidas associadas ao abate.

Eles também documentaram grandes arpões feitos de osso de baleia, alguns dos maiores encontrados na América do Sul. A presença deles, juntamente com a abundância de restos ósseos, sua inclusão em contextos funerários e a identificação de espécies costeiras, fornece evidências sólidas de caça ativa em vez de exploração oportunista de animais encalhados.

mem/alb/bj

RELACIONADAS

Edicão Portuguesa