Sexta-feira, Janeiro 09, 2026
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Governador de Buenos Aires vai à justiça por verbas negadas por Milei

La Plata, Argentina, 8 de jan (Prensa Latina) O governador da Província de Buenos Aires, Axel Kicillof, planeja intensificar sua ofensiva jurídica hoje, recorrendo ao Supremo Tribunal de Justiça em relação aos 13 bilhões de pesos que o presidente Javier Milei lhe nega.

Assim que o recesso judicial de janeiro terminar, o governador de Buenos Aires solicitará à Suprema Corte uma decisão sobre os sete processos que moveu contra o governo federal, informou a revista Letra P.

A estratégia visa forçar um debate judicial que o governo de La Plata não conseguiu obter por meios políticos.

O Ministro do Governo da Província de Buenos Aires, Carlos Bianco, vem solicitando uma reunião com o Ministro do Interior, Diego Santilli, para discutir os valores devidos — que somam 8.784 milhões de dólares — bem como os fundos para obras públicas que o governo federal deixou de executar, mas até o momento não obteve resposta, informou a Letra P.

O anúncio de Buenos Aires sobre sua decisão de recorrer ao Supremo Tribunal Federal com pedidos de audiências ocorreu no mesmo dia em que Santilli iniciou sua visita às províncias para negociar a liberação de verbas em troca de apoio legislativo à reforma trabalhista que o presidente Javier Milei pretende implementar, por sugestão do FMI.

Santilli chegou a Chubut na quarta-feira para se encontrar com Ignacio Torres, na primeira visita de uma série de eventos que incluirá cerca de dez províncias durante o mês de janeiro.

Em dezembro, o governo federal distribuiu 199,5 bilhões de pesos em Contribuições do Tesouro Nacional para as províncias, e quase 35% desse total foi destinado aos distritos que apoiaram o projeto de lei orçamentária de 2026 com seus votos.

A decisão de solicitar audiências formais em fevereiro busca agilizar uma ação judicial que se arrasta desde o início do governo Milei. Kicillof entrou com o primeiro recurso no Supremo Tribunal Federal em agosto do ano passado, quando a dívida era de cerca de sete bilhões de pesos.

Desde então, o valor quase dobrou devido à inadimplência e ao reajuste dos valores devidos.

Santilli chegou a Chubut na quarta-feira para se encontrar com Ignacio Torres, na primeira visita de um grupo de cerca de sete bilhões de pesos.

Desde então, o montante quase dobrou devido à inadimplência e ao reajuste dos valores reivindicados. Os fundos reivindicados correspondem a obrigações legais do governo federal com Buenos Aires, mas que a administração libertária deixou de repassar como parte de sua política de austeridade fiscal, observou a revista.

Também veio à tona que o governador da Cidade de Buenos Aires, Jorge Macri, ex-aliado de Milei, está considerando apresentar uma queixa ao Supremo Tribunal Federal contra o ministro da Economia, Luis Caputo, por descumprimento da liminar que obrigava o pagamento mensal à prefeitura referente aos fundos de repasse de receita retidos pelo governo federal.

A Casa Rosada (o palácio presidencial) acumula uma dívida de 430 bilhões de pesos com a capital desde agosto de 2015, quando os pagamentos começaram a atrasar. “Essa quantia não é mais apenas um atraso; é uma violação da liminar do Supremo Tribunal Federal”, afirmam fontes da prefeitura de Buenos Aires.

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