Quarta-feira, Janeiro 07, 2026
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Organizações argentinas condenam ataque dos EUA à Venezuela

Buenos Aires, 5 de janeiro (Prensa Latina) Cem organizações políticas, trabalhistas, sociais, estudantis e de direitos humanos argentinas condenaram hoje veementemente a agressão traiçoeira dos Estados Unidos contra a Venezuela e o sequestro de seu presidente legítimo, Nicolás Maduro.

Convocadas pelas Centrais Sindicais de Trabalhadores da Argentina, CTA-A e CTA-T, líderes desses grupos, incluindo deputados nacionais de diversos partidos de oposição, realizaram uma coletiva de imprensa na sede da CTA-A, onde expressaram profunda preocupação com os graves acontecimentos na Venezuela.

Elas também convocaram seus membros a protestar em frente à embaixada dos EUA em Buenos Aires.

Entre os oradores estavam o ganhador argentino do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel; Tati Almeida, presidente da Linha Fundadora das Mães da Praça de Maio; Hugo Yasky, deputado nacional e secretário-geral da CTA-T, e Hugo Godoy, líder máximo da CTA-A, anfitriã do evento.

Os líderes também rejeitaram a posição do governo argentino de Javier Milei, que, em vez de defender a paz, a soberania e os princípios do direito internacional, celebrou e apoiou a invasão criminosa.

“Essa cumplicidade, alinhada à diplomacia dos Estados Unidos, é inaceitável e envergonha a Argentina perante os povos irmãos da América Latina”, enfatizaram.

Em uma declaração conjunta, exigiram a retirada imediata e incondicional de todas as forças armadas dos Estados Unidos do Caribe e a libertação imediata e segura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Exigiram ainda a cessação imediata de todas as ameaças contra os governos do México, Colômbia, Cuba, Brasil, Venezuela e Nicarágua, nações que defendem sua soberania com dignidade.

Eles instaram as organizações internacionais relevantes a agirem imediatamente, exigirem a libertação de Nicolás Maduro e apelarem veementemente aos Estados Unidos para que reconsiderem suas ações criminosas, responsabilizando Washington pela segurança do presidente venezuelano e de seu companheiro.

Este ataque “representa uma violação flagrante dos Artigos 1 e 2 da Carta das Nações Unidas, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição expressa do uso da força”, enfatiza a declaração.

Os signatários da declaração apontam que o próprio presidente Donald Trump revelou o verdadeiro objetivo da intervenção: não restaurar a democracia, mas “permitir que as principais empresas petrolíferas americanas operem na Venezuela”. Essa abordagem “desmascara o verdadeiro propósito do ataque”.

A agressão “põe em risco a paz e a estabilidade regional e significa um retorno à nefasta era da Doutrina Monroe, onde qualquer país das Américas poderia se tornar a próxima vítima do intervencionismo militar americano, com o objetivo de impor governos fantoches para servir aos seus interesses”.

“A América Latina e o Caribe se estabeleceram como uma Zona de Paz. Portanto, um ataque contra a Venezuela é um ataque contra todo o continente”, afirmam as cerca de cem organizações argentinas cujos representantes se reuniram na sede da CTA-A.

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