Quarta-feira, Janeiro 07, 2026
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Criticam na Itália apoio de Meloni aos EUA em ataque à Venezuela

Roma, 5 jan (Prensa Latina) Os líderes políticos da Itália rejeitaram hoje o apoio do governo italiano à agressão imperialista dos Estados Unidos contra a Venezuela, que a primeira-ministra Giorgia Meloni justificou como uma suposta ação contra o narcotráfico.

“Estou surpreso que Meloni tenha declarado legítima a opção militar de Trump na Venezuela; isso cria um precedente muito sério”, disse Giuseppe Conte, presidente do Movimento Cinco Estrelas, da oposição, em declarações ao canal de televisão Rete 4, condenando a “submissão” da chefe de governo ao presidente estadunidense, Donald Trump.

Após o covarde ataque dos EUA contra o país latino-americano e o sequestro de seu presidente, Nicolás Maduro, “hoje estamos mais indefesos e vulneráveis” porque “estamos nos aproximando do Velho Oeste global”, destacou ele.

As declarações de Conte surgem pouco depois de uma conversa telefônica entre Meloni e a líder da oposição venezuelana de extrema-direita, María Corina Machado, ocorrida no dia anterior, na qual discutiram “uma transição pacífica e democrática” naquele país, segundo um comunicado divulgado pela Presidência do Conselho de Ministros.

Por sua vez, o secretário-geral do Partido da Esquerda Italiana (SI), Nicola Fratoianni, expressou: “Sinto sincera pena e até vergonha da primeira-ministra Meloni” após sua posição de apoio à agressão imperialista estadunidense contra a Venezuela.

“Será que eles virão ao Parlamento para mentir ao povo italiano?”, questionou o deputado Angelo Bonelli, líder do partido Europa Verde, que considerou que “as políticas de Donald Trump são um neocolonialismo energético e uma demonstração de força para assumir o controle das maiores reservas de petróleo do planeta”.

Até mesmo o vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, líder do partido governista Liga, reafirmou que “a principal forma de resolver disputas internacionais e pôr fim a conflitos em curso deve retornar à diplomacia, respeitando o direito dos povos de decidirem seu próprio futuro”.

Salvini lembrou um apelo recente do Papa Leão XIV para “garantir a soberania nacional da Venezuela e assegurar o Estado de Direito”.

O deputado Riccardo Magi, do movimento +Europa, lembrou que “o presidente dos EUA afirmou repetidamente que a anexação da Groenlândia é uma necessidade para a segurança nacional” e alertou para o perigo da subordinação da primeira-ministra a Trump após a agressão contra a Venezuela.

Caso Washington lance uma operação militar para tomar aquela ilha, território dinamarquês, “até onde irá a subjugação de Meloni?”, questionou Magi. “Eles alegarão legítima defesa?”

A primeira-ministra “escolheu Trump e se esqueceu de que, segundo a Constituição, a Itália repudia a guerra”, disse o deputado Peppe Provenzano, chefe da pasta de Relações Exteriores do Partido Democrático (PD), referindo-se ao ataque contra o país latino-americano, acrescentando que “legitimar essa violação do direito internacional é extremamente grave”.

Provenzano anunciou que a atuação política do PD continua na União Europeia (UE), onde foi apresentada uma moção solicitando à Alta Representante daquela comunidade regional, Kaja Kallas, que “condene veementemente o uso unilateral da força e reincorpore a crise venezuelana ao quadro multilateral das Nações Unidas”.

ro/ort/hb

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