Quarta-feira, Janeiro 07, 2026
NOTÍCIA

Após o ataque à Venezuela, a América Latina está em perigo

Lima, 5 de janeiro (Prensa Latina) Após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, toda a América Latina está ameaçada, opinou hoje um analista peruano, enquanto outro comentarista apontou que Washington não está interessado na democracia, mas sim no petróleo daquele país.

“Seria ingenuidade pensar que, após este ataque à Venezuela, o caminho não está sendo pavimentado para outras possíveis incursões na região”, declarou o analista Ramiro Escobar, especialista em Relações Internacionais.

Ele especificou que o cenário aberto após o ataque à Venezuela terá impacto nos processos políticos da América Latina e, no caso do Peru, estará sujeito à interferência do governo de Donald Trump.

“Teremos eleições em abril, e a influência de Trump será claramente sentida”, comentou, algo que outros analistas já haviam previsto após a flagrante interferência do presidente americano nas eleições hondurenhas. Nesse contexto, ele observou que a posição do governo peruano sobre o assunto, que exclui a condenação da violação da soberania venezuelana, é cautelosa e “não elimina os riscos que surgem em um cenário de maior confronto global”.

Por sua vez, o analista Juan de la Puente, crítico do governo venezuelano como Escobar, opinou que, independentemente disso, “existe o Direito Internacional, que proíbe o uso da força e consagra a soberania nacional”, que Washington violou.

Ele acrescentou que “Trump não é democrata, nem quer ser”, e está levando os Estados Unidos de volta à década de 1950, enquanto parte da região aplaude.

Com um toque de ironia, ele perguntou se, após o ataque, o setor colonialista da América Latina finalmente havia percebido que “Maduro caiu, mas não seu regime, que os Estados Unidos estão interessados ​​em petróleo e não em democracia, e que isso se assemelha mais ao Iraque e à (mentira) das ‘armas de destruição em massa'”.

Por outro lado, um dos candidatos de esquerda à presidência do Peru, Roberto Sánchez, desafiou os demais candidatos a se manifestarem “contra a inaceitável arrogância imperial”.

“Vocês querem governar um país colaboracionista e servil? A Venezuela não está sozinha”, acrescentou, “e conta com significativo apoio internacional”.

Ele também afirmou que os venezuelanos que aplaudem a invasão americana não representam seu país porque “querem ser, ou aceitam ser, súditos do império; são apátridas”.

jha/mrs/glmv

RELACIONADAS

Edicão Portuguesa