“Seria ingenuidade pensar que, após este ataque à Venezuela, o caminho não está sendo pavimentado para outras possíveis incursões na região”, declarou o analista Ramiro Escobar, especialista em Relações Internacionais.
Ele especificou que o cenário aberto após o ataque à Venezuela terá impacto nos processos políticos da América Latina e, no caso do Peru, estará sujeito à interferência do governo de Donald Trump.
“Teremos eleições em abril, e a influência de Trump será claramente sentida”, comentou, algo que outros analistas já haviam previsto após a flagrante interferência do presidente americano nas eleições hondurenhas. Nesse contexto, ele observou que a posição do governo peruano sobre o assunto, que exclui a condenação da violação da soberania venezuelana, é cautelosa e “não elimina os riscos que surgem em um cenário de maior confronto global”.
Por sua vez, o analista Juan de la Puente, crítico do governo venezuelano como Escobar, opinou que, independentemente disso, “existe o Direito Internacional, que proíbe o uso da força e consagra a soberania nacional”, que Washington violou.
Ele acrescentou que “Trump não é democrata, nem quer ser”, e está levando os Estados Unidos de volta à década de 1950, enquanto parte da região aplaude.
Com um toque de ironia, ele perguntou se, após o ataque, o setor colonialista da América Latina finalmente havia percebido que “Maduro caiu, mas não seu regime, que os Estados Unidos estão interessados em petróleo e não em democracia, e que isso se assemelha mais ao Iraque e à (mentira) das ‘armas de destruição em massa'”.
Por outro lado, um dos candidatos de esquerda à presidência do Peru, Roberto Sánchez, desafiou os demais candidatos a se manifestarem “contra a inaceitável arrogância imperial”.
“Vocês querem governar um país colaboracionista e servil? A Venezuela não está sozinha”, acrescentou, “e conta com significativo apoio internacional”.
Ele também afirmou que os venezuelanos que aplaudem a invasão americana não representam seu país porque “querem ser, ou aceitam ser, súditos do império; são apátridas”.
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