Domingo, Janeiro 11, 2026
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Equador disse não a Noboa, às bases militares e à Constituinte

Quito, 17 nov (Prensa Latina) O Equador rejeitou as quatro perguntas do referendo e da consulta popular promovidos pelo presidente Daniel Noboa, incluindo as bases militares estrangeiras e a Constituinte, resultados que ainda hoje são surpreendentes.

Com mais de 90% das cédulas apuradas, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) confirmou que o Não prevaleceu em todas as questões com uma tendência marcante.

As pesquisas não previam esse cenário, nem mesmo o presidente, que na semana anterior recebeu a secretária de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Kristi Noem, para visitar enclaves estratégicos na costa equatoriana.

O ex-presidente Rafael Correa (2007-2017) comemorou o resultado como uma validação histórica do texto constitucional vigente.

“A Constituição de Montecristi foi ratificada após 17 anos em vigor (…) Pela primeira vez na história do Equador, uma constituição foi aprovada por maioria dos cidadãos duas vezes. Isso mostra um marco histórico”, afirmou o ex-presidente.

A comunicadora e socióloga Irene León, da Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade, destacou que o povo equatoriano quer continuar “com uma das melhores Constituições do mundo, com soberania e sem bases militares estrangeiras”.

Na mesma linha, a presidente da Revolução Cidadã e ex-candidata à presidência, Luisa González, destacou que “a pátria venceu!” e ressaltou que a vitória “não é dos partidos políticos”, mas dos equatorianos “que venceram o ódio que confronta um povo irmão”.

Além de se pronunciarem contra a presença de tropas estrangeiras e uma nova Carta Magna, os cidadãos rejeitaram a eliminação do financiamento público dos partidos e a redução do número de legisladores, questões que pareciam ganhas diante da insatisfação popular com a classe política.

A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) concordou que se trata de uma vitória social que “pertence ao povo mobilizado, às comunidades, aos jovens, às mulheres” e lembrou que manifestações de resistência, como a recente greve nacional, desmascararam as tentativas de impor uma agenda contrária aos interesses do povo.

A organização exigiu ao Executivo que “freasse o autoritarismo, a violência e o populismo”, alertando que a dignidade popular é um limite intransponível.

Da Unidad Popular, Natasha Rojas interpretou o resultado como um alerta direto ao presidente.

“O Equador disse não ao autoritarismo, não à arrogância. (…) Era claro que o objetivo da consulta era retirar direitos, eliminar a soberania e abrir caminho para a privatização e a violação dos direitos da natureza”, afirmou Rojas em declarações à Prensa Latina.

O presidente da União Nacional dos Educadores, Andrés Quishpe, afirmou que o processo consultivo foi também “um plebiscito à política de Daniel Noboa”.

Segundo o líder sindical, se o governo insistir em reformas que afetem os direitos, “estará provocando os povos do Equador”, e lembrou que a campanha oficialista se desenvolveu “sob a demagogia, o medo e o gasto de recursos estatais”.

Para a especialista em comunicação política Caroline Ávila, “as pessoas votaram Não porque não confiam, não entendem este governo e não veem resultados” e considerou que foi um voto “emocional, mas profundamente racional”.

A participação nas eleições deste 16 de novembro ultrapassou os 80% e deixou o Executivo diante de um revés.

Noboa, que acompanhou os resultados de sua residência em Olón e não apareceu em público como previsto, reconheceu a derrota e garantiu, por meio de sua conta no X, que respeitará a vontade popular.

Enquanto isso, nas ruas de Quito e outras localidades, dezenas de pessoas comemoraram os resultados com música e gritos de “fora Noboa, fora”.

ro/avr/bm

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