O acadêmico italiano Pino Arlachi, que atuou como diretor adjunto das Nações Unidas e diretor executivo do Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime, afirma no texto que pôde comprovar, durante sua gestão, que a cooperação venezuelana contra o narcotráfico era uma das mais eficazes da América do Sul, comparável apenas à de Cuba.
“Nem a Venezuela nem Cuba jamais tiveram extensões de terra cultivadas com cocaína”, afirma o artigo.
Arlachi classifica “a narrativa delirante de Trump sobre a Venezuela como um narcoestado” como uma “calúnia com motivações geopolíticas”, que busca mascarar os verdadeiros interesses de Washington na região, relacionados aos recursos energéticos.
Ele também desmente a narrativa americana sobre o suposto Cartel dos Sóis, descrito como “uma ficção de Hollywood” sem respaldo nos relatórios da Organização das Nações Unidas nem em documentos de agências europeias ou internacionais.
Além disso, expõe a hipocrisia dos Estados Unidos, que ignoram o aumento do tráfico de drogas em países como o Equador, “onde 57% dos contêineres de banana que saem de Guayaquil para a Europa estão carregados de cocaína”.
O texto conclui que a Venezuela, por sua localização geográfica, não constitui uma rota lógica para o tráfico de drogas para os Estados Unidos ou a Europa.
“O verdadeiro crime é cometido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao promover calúnias sistemáticas contra um Estado soberano com o objetivo de se apropriar de seus recursos petrolíferos”, adverte.
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