12 de August de 2022
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Início difícil para o governo chileno

Chile, gobierno, Gariel Boric

Início difícil para o governo chileno

Havana, 7 jun (Prensa Latina) Prestes a completar seus primeiros três meses, o governo chileno enfrenta um cenário complexo marcado pela inflação, o conflito em La Araucanía e a insegurança, problemas herdados de governos anteriores que, no entanto, desgastaram sua popularidade.
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Por Carmen Esquivel

Jornalista da Prensa Latina

“Aqui no Chile costuma-se dizer que os governos têm alguns meses de lua de mel ou marcha branca, mas o de Gabriel Boric não teve nem uma coisa nem outra, entrou plenamente em uma agenda intensa e muito vertiginosa”, disse o analista Hugo Guzmán à Prensa Latina via Whatsapp.

O diretor do jornal El Siglo mencionou entre as principais preocupações a tensão e a violência em La Araucanía, onde vive o povo mapuche, mas onde também operam grandes empresas agroflorestais, consórcios privados e narcotraficantes.

Outro problema que vem ocorrendo há muitos anos é o aumento da violência, homicídios e atos criminosos de alta conotação, como o ocorrido durante a marcha de 1º de maio, quando integrantes do crime organizado atiraram contra um grupo de jornalistas e mataram uma comunicadora, algo que não acontecia desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Uma terceira dificuldade é a inflação, que em abril atingiu 10,5% e quebrou a marca de dois dígitos pela primeira vez em quase três décadas.

“Esses são apenas três elementos que colocaram o governo em uma situação muito sensível, muito problemática e que gera muita tensão”, alertou Guzmán.

Pesquisas recentes, como a da Cadem, indicam que a taxa de aceitação do presidente é de 44%, enquanto a reprovação sobe para 47%.

Questionado sobre o assunto, Guzmán disse que -embora a maioria das pesquisas seja geralmente realizada por empresas privadas ou vinculadas a consórcios jornalísticos- há outros pesquisadores que têm maior credibilidade, eles confirmam que a aprovação da gestão do governo está passando por um momento complicado e isso tem a ver com os três elementos mencionados acima.

PASSOS IMPORTANTES

Apesar do cenário adverso, o analista lembrou que foram dados passos importantes no período, como o aumento do salário mínimo de 350.000 pesos (425 dólares) para 400.000 (485 dólares), o maior aumento dos últimos 26 anos, e a aumento dos subsídios aos trabalhadores das pequenas e médias empresas (PME).

O país assinou o Acordo de Escazú em defesa do meio ambiente, está entrando em um processo de reforma tributária que lhe permitirá captar mais impostos dos supermilionários e o sistema previdenciário será modificado para aumentar os baixíssimos saques, explicou.

Outro avanço é o anúncio de um investimento em infraestrutura e logística na educação e um plano para a área de La Araucanía, chamado Bem Viver, que prevê melhorar a educação, a saúde e a entrega de terras ao povo mapuche.

“E eu terminaria dizendo que foi estabelecida uma agenda de direitos humanos, baseada na verdade, na justiça e na não repetição, o que é muito importante porque não havia agenda sobre esse assunto aqui há anos”, disse.

Em sua primeira conta pública perante o Congresso Nacional, em 1º de junho, Boric anunciou planos ambiciosos, incluindo a apresentação em agosto ao parlamento de um projeto de reforma da Previdência, segundo o qual cada pessoa com 65 anos ou mais terá direito a uma pensão básica de 250 mil pesos (350 dólares), garantidos pelo Estado.

“Sabemos que chegou a hora de uma reforma abrangente do sistema de saúde. Para isso, apresentaremos um projeto de lei que criará um Fundo Universal de Saúde, com o objetivo de gerar maior equidade no acesso aos serviços, melhorar o atendimento, aumentar a solidariedade no financiamento o sistema e reduzir os gastos das famílias”, disse.

Sobre a reforma tributária, disse que “atacará as bases da desigualdade, tributando altos rendimentos e patrimônios, as rendas da mineração e brechas legais para financiar o cumprimento dos direitos sociais em saúde, pensões e cuidados”.

POR UMA NOVA CONSTITUIÇÃO

Chile está imerso, além do mais, na redação de uma nova constituição, cujo esboço de 499 artigos será entregue no próximo 4 de julho ao presidente, que convocará a um plebiscito no dia 4 de setembro, quando 15 milhões de chilenos se pronunciarão pela aprovação ou a rejeição.

No seu discurso à nação, Boric afirmou que ambas as opções são legítimas e que o Governo tem o dever de garantir que os cidadãos se expressem livremente nas urnas de forma informada. As mais recentes pesquisas dão uma vantagem à rejeição sobre a aprovação, mesmo que quando se fez o plebiscito para ver se a cidadania queria ou não uma nova constituição, as pesquisas indicavam um empate técnico e, de qualquer maneira, 80% da população se pronunciou a favor.

O diretor do jornal El Siglo atribui o aumento da rejeição ao fato de que houve erros e insuficiências na hora de informar o público sobre o conteúdo do texto.

Por outro lado, disse, tem havido uma campanha muito forte e sistemática contra a nova Carta Magna em um país onde quase 90 por cento da mídia pertence a setores empresariais conservadores e há uma disseminação dramática de notícias falsas.

Nesse cenário, setores progressistas, democráticos e de esquerda que estão de acordo com as transformações no Chile, passaram a realizar um intenso trabalho territorial.

“Já foi decidido sair às ruas, às comunas, às casas, tanto nas cidades como no campo, aos centros de trabalho e aos parques. Este é um trabalho muito importante durante estas semanas e vai continuar”, especificou.

Sobre a importância da adoção de uma nova lei fundamental, Guzmán declarou que sua aprovação virtual significaria deixar para trás a imposta pela ditadura militar, daria ao país uma constituição plurinacional que garanta os direitos sociais e democráticos, inclusive os dos povos indígenas, revigorará o sistema judicial e permitirá passar de um modelo de desenvolvimento neoliberal para um modelo soberano e sustentável.

arb/car/hb

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