22 de January de 2022
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Greve, paz e eleições triangulam 2021 na Colômbia

Greve, paz e eleições triangulam 2021 na Colômbia

* Odalys Troya Flores
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Bogotá, 28 dez (Prensa Latina) 2021 na Colômbia foi marcado por acontecimentos importantes como a maior convulsão social dos últimos 70 anos, a comemoração do quinto aniversário do Acordo de Paz e o prelúdio das próximas eleições.

No dia 28 de abril, convocados pelo Comitê Nacional de Greve, milhares de cidadãos saíram às ruas para protestar contra um pacote neoliberal promovido pelo governo de Iván Duque, em meio à pandemia da Covid-19.

Esta onda histórica de mobilizações se espalhou por toda a Colômbia e as demandas cresceram à medida que os mais diversos setores aderiram à greve.

Revogar uma proposta de reforma tributária que aumentaria os impostos e afetaria as camadas sociais mais baixas; taxa zero para jovens que desejam ingressar na universidade; cessação da violência; reforma policial; o desmantelamento do Esquadrão Móvel Antimotim (Esmad) e o cumprimento integral do Acordo de Paz foram algumas das reivindicações da greve.

Depois de quase três meses de incessantes manifestações pacíficas, a repressão exercida pela força pública causou mortes, ferimentos, torturas, desaparecimentos, lesões oculares, especialmente a jovens, além de assédio sexual, segundo organizações de direitos humanos, tanto locais como internacionais.

RELATÓRIO DA ONU

Um relatório recente do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos sobre a violência policial contra os manifestantes durante a greve nacional, observou que de 28 de abril a 31 de julho deste ano, foram recebidas denúncias de que 63 pessoas haviam sido mortas durante esse período.

76% das mortes foram causadas por ferimentos a bala e até agora o Escritório das Nações Unidas identificou 46, desses, 44 civis e dois policiais.

De acordo com a investigação, pelo menos 28 das mortes foram obra de policiais e 10 delas foram de responsabilidade de integrantes do Esquadrão Móvel Antimotim da Polícia Nacional.

Outras 10 pessoas foram vítimas de atores não estatais e até agora, por falta de dados, não foi possível estabelecer quem matou mais oito manifestantes.

O estudo mostra que o aparato repressivo usou de força desnecessária ou desproporcional para dispersar as manifestações e bloqueios pacíficos.

Além disso, indivíduos armados atacaram os manifestantes, às vezes com armas de fogo, com a passividade das forças de segurança.

Observa que nas mortes documentadas há relatos de 60 casos de violência sexual supostamente cometidos pela polícia. Até agora, a ONU verificou 16.

O relatório alerta para a criminalização e estigmatização dos manifestantes, muitas vezes através da mídia, aos quais associam com atos de vandalismo ou terrorismo.

Expressa sua preocupação com os ataques a defensores dos direitos humanos e jornalistas que documentaram os acontecimentos.

Insiste que a grande maioria dos protestos foi pacífica e destaca a diminuição das tensões durante o diálogo entre as autoridades e os participantes.

A ONU exortou o governo colombiano a mudar sua forma de lidar com os protestos da população para evitar mais mortes e feridos de quem exerce sua liberdade de expressão, participação e reunião.

CONQUISTAS DA GREVE NACIONAL

Segundo o senador do Movimento Indígena e Alternativa Social Feliciano Valencia, em 47 dias a greve nacional conseguiu frear as reformas tributária e sanitária, bem como a renúncia do ministro da Fazenda Alberto Carrasquilla, da chanceler Claudia Blum e do comandante da Polícia de Cali, Juan Carlos Rodríguez.

Também permitiu evitar a compra de 24 aviões de guerra por um valor multimilionário e encerrar os discursos diários do programa Prevenção e Ação, no qual o presidente do país, Iván Duque, compareceu para discutir assuntos relacionados à Covid-19.

Valencia acrescentou que, a partir do segundo semestre deste ano, foram obtidas mensalidades gratuitas para os alunos do ensino superior público dos estratos mais baixos.

Também colocou a necessidade de uma reforma estrutural na Polícia Nacional, para dar visibilidade aos jovens, a Linha de Frente e a Minga indígena como atores revolucionários, assegurou o político.

Da mesma forma, permitiu promover a participação cidadã (assembleias e conselhos abertos), tornar visível ao mundo a crise política e social que a Colômbia vive com o governo Duque, priorizar a vida e a paz acima do futebol.

Em seu balanço, ele também destacou que as mobilizações conseguiram ressignificar a memória histórica do país e que grande parte da Colômbia se declarou contrária às doutrinas promovidas pelo ex-presidente Álvaro Uribe, fundador do partido governista Centro Democrático.

Por fim, permitiu expor a violação massiva e sistemática dos direitos humanos por parte da Força Pública e a exigência de desmantelamento da Esmad.

QUINTO ANIVERSÁRIO DO ACORDO DE PAZ

A ratificação do apoio à paz na Colômbia pela ONU, União Europeia e países que são garantidores do processo que pôs fim ao conflito armado ocorreu no contexto do quinto aniversário do Acordo de Paz.

Com a presença do Secretário-Geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, foram realizados eventos comemorativos da assinatura do Acordo entre as extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo e o governo de Juan Manuel Santos, em nome do Estado.

Guterres, embora tenha feito um apelo à implementação integral do Acordo que conseguiu pôr fim ao conflito armado mais antigo da América Latina, reconheceu alguns avanços neste processo.

Entre eles, ele mencionou as conquistas da justiça de transição que têm permitido às vítimas conhecer a verdade e perdoar para que não haja repetição dos dolorosos acontecimentos da guerra.

Embora ainda existam muitos funcionários de todas as partes para apresentar seus depoimentos e, principalmente, reparações, ele destacou o sistema de justiça criado como parte do Acordo, como uma das conquistas mais importantes desse processo, cujas conversas e negociações aconteceram em Havana, Cuba.

Outro avanço, disse ele, é a reincorporação dos ex-guerrilheiros à vida civil, muitos dos quais promovem projetos produtivos para o sustento próprio e de suas famílias.

No entanto, algumas das deficiências do Acordo de Paz são a ausência de uma reforma agrária abrangente, entrega de terras e substituição de safras consideradas ilegais.

Entre os aspectos negativos, mencionou também o assassinato de cerca de 300 ex-guerrilheiros que depuseram as armas acreditando no respeito as suas vidas.

Também são mais de mil crimes contra lideranças sociais, ambientais e indígenas cometidos por estruturas criminosas que ocupam os territórios onde vivem os reincorporados, camponeses e comunidades indígenas, afirmou. Nesse cenário, segundo a Consultoria em Direitos Humanos e Deslocamento (Codhes), 2021 foi o ano com o maior número de vítimas de deslocamento forçado na Colômbia desde a assinatura do pacto.

Dados do Sistema de Informação sobre Direitos Humanos e Deslocamento de Codhes, de janeiro a novembro, 82.846 pessoas foram deslocadas, um aumento de 169% em relação a 2020.

Da mesma forma, em 2021 ocorreram 167 ocorrências de deslocamento em massa e detalhou que 7 em cada 10 expulsos são dos grupos étnicos mais vulneráveis, ou seja, 37.664 afrodescendentes foram exilados à força, além de 18.979 indígenas.

No ato central comemorativo da assinatura do Acordo, realizado na sede do Jurisdição Especial para a Paz, os países garantidores do processo, Cuba e Noruega, expressaram por meio de vídeo seu total compromisso com a paz no país.

“O Acordo de Paz é um acontecimento de grande significado que foi recebido com grande alegria tanto na Colômbia como na comunidade internacional, em particular na América Latina e no Caribe, devido ao seu impacto na redução da violência”, disse o Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel.

Ele pediu o cumprimento integral do acordo para garantir a vida de ex-guerrilheiros, lideranças sociais e defensores dos direitos humanos.

Por seu turno, o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, destacou que o número de ex-combatentes assassinados nestes cinco anos de acordo é alarmante e a situação dos defensores dos direitos humanos e dos dirigentes das comunidades indígenas e afro-colombianas também são motivo de preocupação.

“Devemos todos trabalhar ainda mais para lidar com as causas profundas do conflito. Caros amigos, como país garantidor, a Noruega agradece a confiança depositada em nós”, disse ele.

ANTES DAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS E PRESIDENCIAIS

As eleições legislativas serão no dia 13 de março de 2022 para eleger 100 senadores, 166 deputados à Câmara e 16 representantes das Circunscrições Especiais Transitórias de Paz.

Enquanto isso, no dia 29 de maio serão eleitos o presidente e o vice-presidente do país para o período de 2022-2026.

Para a vitória, deve-se obter a metade mais um do total de votos válidos, caso contrário será realizado um segundo turno no dia 19 de junho de 2022 entre os dois candidatos com maior votação e quem obtiver a vitória governará por um único período de quatro anos.

No momento, Gustavo Petro, líder do Pacto Histórico, coalizão pluralista e de esquerda, vem como favorito, apesar da campanha de descrédito contra ele pelos candidatos presidenciais da direita.

As diferentes forças políticas inscreveram suas listas para o Senado e a Câmara dos Deputados, que disputarão no dia 13 de março, quando os 16 deputados também serão eleitos para as chamadas cadeiras pacíficas.

Sem dúvida, esses acontecimentos históricos marcam o caminho rumo a esse processo que definirá o futuro do país em um contexto regional onde o progressismo está mais uma vez traçando o caminho das mudanças na América Latina.

rmh/otf/cm

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