30 de November de 2021

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Manuel Porto, um patriota da arte

Manuel Porto, um patriota da arte

Por Claudia Maden Havana, 14 nov (Prensa Latina) Parece improvável que a morte, escondida entre as complicações da pandemia de Covid-19, encurtasse uma vida como a de Manuel Porto (1945-2021), um dos grandes talentos de atuação de Cuba.
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O ator cubano era conhecido por ser genuinamente crioulo em seu trabalho profissional, devido a sua apreciação da cultura e do meio ambiente como variáveis fundamentais para a melhoria humana, e também em virtude de sua atitude completamente patriótica.

Tanto o teatro quanto as câmeras testemunham essa integridade e um talento inato que ele descobriu por acaso em sua juventude, quando fazia parte das Forças Armadas Revolucionárias, às quais aderiu depois de ser membro da Associação de Jovens Rebeldes.

Durante seu tempo como artista amador nas unidades militares, ele forjou sua vocação, que foi amplamente realizada no teatro, rádio, cinema e televisão, com aparições em séries inesquecíveis como Cuando el agua regresa a la tierra, Algo más que soñar, Sol de batey, El tesoro del Mallorquín, e outras que lhe renderam aclamação nacional.

Seu domínio também foi registrado na sétima arte, onde assumiu diversos e complexos papéis e desperdiçou histriônica sem cair em vaidades. Entre essas produções destacam-se Leyenda (1981), Se permuta (1984), Plácido (1986), La vida en rosa (1989), Caravana (1990), José Martí, el ojo del canario (2010) e Esteban (2016).

Talvez seu ensino mais valioso tenha sido o Ensemble Artístico Korimakao, fundado e dirigido pelo Porto desde 13 de agosto de 1992 na Ciénaga de Zapata, no sul da província ocidental de Matanzas, epicentro de sua dedicação à formação de jovens gerações de artistas.

Durante sua vida, o ator confirmou que Korimakao é uma ideia humanamente artística, nascida de um pedido do expedicionário do iate Granma e comandante da luta insurrecional na Sierra Maestra (1956-1959) Faustino Pérez.

“Eles me pediram para ajudar a organizar este movimento (…). O povo veio de Havana, Camagüey, o leste, de outros países para se juntar a esse grupo que sonhava em trazer ações artísticas não só para La Ciénaga, mas para toda Cuba”, lembrou com a modéstia que o caracterizava.

Foi lá que ele percebeu uma das máximas de sua vida: entender a criação artística como uma força e um impulso para a sociedade além do palco e em favor da cultura comunitária, outra das múltiplas prioridades da Revolução Cubana, a qual ele serviu sem hesitações ou restrições.

Ao longo das últimas cinco décadas, o Porto legou performances distintas e, por sua vez, honrou os ensinamentos que recebeu no final dos anos 60 no antigo Instituto Cubano de Radiodifusão de mestres da estatura de Alejandro Lugo, Enrique Santiesteban, Reynaldo Miravalles, Raquel e Vicente Revuelta, José Antonio Rodríguez, Miguel Navarro, Verónica Lynn e Gina Cabrera. Em ato recíproco, sua carreira de ator foi homenageada com vários prêmios: o Raúl Gómez García e as Ordens Culturais Nacionais, a Réplica do Machete Mambí do General Máximo Gómez, concedida pelo Ministério das Forças Armadas Revolucionárias, e o Prêmio Nacional de Cultura Comunitária, concedido pelo ministério correspondente.

Embora o ator tenha se despedido da vida em seu 76º aniversário, ele não se despediu de um público que aplaudiu cada um de seus personagens, da comunidade com a qual contribuiu para transformar a Ciénaga de Zapata, nem da magnífica obra espiritual construída a partir da arte. Algumas horas após seu desaparecimento físico, o Presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel, chamou-o no Twitter de “patriota em tempo integral”, e colocou suas conquistas pessoais e sociais entre “as mais relevantes da cultura de nosso país. Que seu valioso legado ético e artístico nunca se perca”.

mem/jpm/cm/vmc

(*) Jornalista da seção cultural da Prensa Latina.

(Extraído de Cuba Internacional No. 478).

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