6 de December de 2021

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José Martí no jornalismo espanhol

José Martí

José Martí no jornalismo espanhol

Por Pedro Pablo Rodríguez (*)
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Havana, 13 nov (Prensa Latina) Os primeiros textos publicados por Martí apareceram em dois jornais de Havana de vida muito curta em 1869, durante o breve período de liberdade de imprensa estabelecido pelo General Domingo Dulce como Capitão Geral de Cuba.

El Diablo Cojuelo e La Patria Libre não passaram da primeira edição. Assim, foi quando ele foi deportado para a Espanha que mais de seus escritos foram impressos. Sabe-se que oito apareceram na imprensa continental entre 1871 e 1873: um em La Soberanía Nacional, em Cádiz; três em El Jurado Federal, em Madri; e quatro em La Cuestión Cubana, em Sevilha. Todos estão relacionados com a guerra pela independência que então grassava na ilha.

A publicação de Cádiz foi um jornal que abriu seu espaço para o jovem cubano que desembarcou naquele porto e que passou apenas duas semanas naquela cidade. Uma vez estabelecido em Madri, em 24 de março de 1871, ele publicou em suas páginas um artigo intitulado Castillo, mais tarde incluído no livro El presidio político en Cuba, no qual Martí relatou os horrores da prisão e das pedreiras de Havana. Este artigo retrata o inferno vivido pelo idoso Nicolás del Castillo, forçado a trabalhar mais de doze horas por dia e sistematicamente espancado.

Por todos os relatos, Martí conseguiu o efeito desejado de difundir entre os espanhóis as atrocidades incentivadas pelas autoridades coloniais, pois antes da publicação do livro, Castillo foi reproduzido em 12 de abril daquele ano em La Cuestión Cubana.

Dois anos depois, este jornal pró-independência de Sevilha publicou três outros textos de Marti: La república española ante la revolución cubana em 12 de abril, La solución em 26 de abril e Las reformas em 26 de maio. A primeira tinha sido impressa em forma de panfleto em folheto em Madri no final de fevereiro de 1873.

Todos os três insistem na proposta de que a república estabelecida na metrópole em fevereiro daquele ano foi obrigada a permitir a independência da república que estava sendo lutada em Cuba.

O Júri Federal em Madri defendeu a tese de uma república federal e Martí foi amigo de seu diretor, Francisco Díaz Quintero. Os textos ali publicados são assinados, os dois primeiros por “Varios cubanos” e o último por Martí e seu amigo Carlos Sauvalle, um estudante universitário da ilha que também viveu na capital espanhola.

São respostas aos ataques aos patriotas que combatem em Cuba e aos cubanos patrióticos em Madri, a quem o jornal madrilenho La Prensa, monarquista, conservador e inimigo da liberdade da colônia, acusou repetidamente de conspirar na cidade, usando o termo “filibustero”, como era usado na época.

Foi uma polêmica acalorada na qual La Prensa ameaçou mais de uma vez levar ao tribunal aqueles que acusava de conspiração. O estilo firme e elegante, não sem uma certa zombaria, das respostas de seus compatriotas, nos permite ver a autoria de Martí, como os estudiosos de seu trabalho sempre o consideraram.

Essa experiência precoce de defender a pátria no centro do poder colonial, com o perigo de ser acusado no tribunal, como seus adversários de La Prensa tentaram fazer, não foi apenas um ato de coragem, mas também um exercício de como encontrar uma forma de manifestar patriotismo dentro das margens permitidas naquela sociedade.

Assim encerra um desses escritos que afirma que os cubanos em Madri não conspiraram, e que se algum deles tinha simpatia pela causa da libertação insular, estavam cientes de que a Espanha não era lugar para trabalhar por essa ideia, e também “eles sabem que têm um caminho claro para ir e pegar a espingarda do incendiário nos campos das Antilhas, ou um lugar nos navios dos filibusteros”.

mem/jpm/ppr/vmc

(*) Diretor geral da edição crítica da obra completa de José Martí.

(Extraído de Cuba Internacional No. 478).

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