12 de August de 2022
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Marca cultural e política de José Martí no século XIX mexicano

Marca cultural e política de José Martí no século XIX mexicano

México, 13 out (Prensa Latina) O intelectual e escritor José Martí é hoje, junto com o poeta José María Heredia, um dos exilados cubanos com maior influência na cena cultural, literária e sócio-política mexicana do século XIX.
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Principalmente durante sua primeira estada no país asteca de 1875 a 1877 e, desde então, inúmeros espaços relembram acontecimentos emblemáticos da vida do Herói Nacional, entre eles uma das fontes da Alameda Central, o parque público mais antigo da América Latina e valorizado por suas obras de arte.

‘Depoimentos da época revelam que o apóstolo costumava se encontrar ali com seu amigo, o advogado mexicano Manuel Mercado, destinatário de sua carta inconclusa ou testemunho político de 18 de maio de 1895’, explicou à Prensa Latina o escritor local Miguel Ángel Sánchez.

Ao jovem de Michoacán confessou em íntima declaração que: ‘Se Cuba não fosse tão infeliz, amaria mais o México (…)’, e uma demonstração dessa devoção são, por exemplo, as múltiplas referências ao território do norte em obras como Los tres heroes e Las ruinas indias, incluídas em sua revista La Edad de Oro (A Idade de Ouro).

Em 20 de dezembro de 1877, Martí casou-se com Carmen Zayas Bazán (1853-1928) na Parroquia del Sagrario Metropolitano, um templo anexo à Catedral construído entre 1749 e 1768 pelo espanhol Lorenzo Rodríguez e localizado na emblemática Praça da Constituição ou Zócalo.

Ele também manteve uma relação estreita e significativa com a intelectualidade mexicana, incluindo o jornalista Guillermo Prieto; o advogado Ignacio Altamirano; o ideólogo liberal Ignacio Ramírez, El Nigromante; o historiador Justo Sierra e políticos como o ex-governador do Distrito Federal Juan José Baz.

Como o país asteca influenciou Martí?

José Martí chegou a Veracruz aos 22 anos, em 8 de fevereiro de 1875, ao ‘país republicano, liberal e juarista de Lerdo de Tejada, que lhe abriu os braços’ (…), segundo o Dr. Alfonso Herrera Franyutti. Após cumprir exílio na Espanha e poucos dias após a morte de sua irmã Mariana Matilde Martí.

Depois de cruzar a rota dos Cumbres de Maltrata de trem, o intelectual cubano expressou: ‘O coração se encolhe diante de tanta beleza. Os olhos ardem. Eles unem as mãos em graça e oração’ e chegou à Cidade do México no dia 10 de fevereiro na antiga Estação Buenavista, inaugurada em 20 de janeiro de 1873.

Suas primeiras reportagens jornalísticas apareceram na Revista Universal – localizada em frente à Plazuela de Guardiola, espaço ocupado pelo arranha-céu conhecido como Torre de Latinoamérica – com o pseudônimo de ‘Orestes’, na sessão do Boletim e no período entre abril e novembro daquele ano.

Segundo escreve o historiador cubano Pedro Pablo Rodríguez, Martí nesse exílio difundiu 47 textos vinculados a atualidade política, cenário intelectual, assuntos econômicos, costumes, greves, a situação dos povos originários, estudos da língua, educação, história e as relações com os Estados Unidos.

‘Essa identificação com a sociedade mexicana não respondia apenas a uma provável necessidade editorial da Revista Universal: também expressava o compromisso pessoal de Marti de compreender e assumir esse povo como seu, pois desde antes tinha como critérios a comunidade identitária latino-americana’, reconheceu.

Segundo a bibliografia da época consultada pela Prensa Latina, sua primeira crônica assinada como Orestes narrava a inauguração do Panteón de Tlalpan, em comemoração à vitória após a Batalha de Puebla, ocorrida em 5 de maio de 1862.

O escritor mexicano Miguel Ángel Sánchez lembrou ainda que em 19 de dezembro daquele ano estreou com sucesso no Teatro Principal a peça ‘Amor con amor se paga’, estrelada pela atriz Concepción Padilla e pelo ator espanhol Enrique Guasp, que ao final da função deram a Martí uma coroa de louros.

‘A intelectualidade mais exaltada da época encontrou refúgio cúmplice nas reuniões de Dom Juan de la Peña e, sua filha Rosario foi considerada a alma dessas reuniões as quais Martí assistia. O intelectual cubano também caiu diante dos encantos da jovem’, afirmou Sánchez.

Em 1894 voltou ao México com o propósito de obter apoio para o reinício das lutas pela independência de Cuba e nessa viagem falou com o então presidente Don Porfirio Díaz, que contribuiu com uma soma pessoal para essa causa.

Um centro dedicado ao apóstolo

O México, à semelhança do que acontece na pátria do apóstolo, celebra a presença de Martí com a colocação do seu nome em um número significativo de bibliotecas, monumentos e a constituição de um centro cultural, munido de uma imponente estátua de corpo inteiro feita pela escultor Ernesto E. Tamariz.

‘Quando pensamos na constituição do centro, inaugurado em 27 de maio de 1976, o artista mexicano foi um dos mais reconhecidos. Ele imprimiu à figura do herói questões relacionadas ao romantismo, ao realismo, à sobriedade e à paz’, disse Miguel Ángel Sánchez.

A coordenadora dessa instituição, Gabriela Baleón, disse à Prensa Latina que este espaço divulga e promove a cultura e, há alguns anos, concentra suas atividades comunitárias na população de baixa renda ou marginalizada presente no entorno da Alameda e do Museu Nacional de Belas Artes.

‘Temos aqui 27 oficinas gratuitas relacionadas com línguas indígenas, produção artesanal, atuação, violão, criação literária, teatro infantil, pintura, entre outros e coordenamos com a embaixada cubana a celebração de seu nascimento em 28 de janeiro e a comemoração de sua morte em 19 de maio ‘, disse ela.

A entidade incorpora um extenso mural realizado pelos renomados pintores Fayad Jamís (1930-1988), Mariano Rodríguez (1912-1990), Luis Nishizawa (1918-2014) e Mario Orozco (1930-1988) e, além de Martí, homenageia outras figuras como Emiliano Zapata, Benito Juárez e Simón Bolívar.

Atualmente, há um intercâmbio acadêmico com o Centro Cultural José Martí de Havana com o objetivo de uma maior divulgação dos textos do apóstolo porque ‘antes mesmo de conhecer seu autor as crianças e jovens mexicanos recitam o ‘Cultivo una rosa blanca’, afirmou Baleón.

oda/dgh/cm

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