5 de December de 2021

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Médicos cubanos na África do Sul, retorno às raízes

Médicos cubanos na África do Sul, retorno às raízes

Pretoria (Prensa Latina) Embora os médicos cubanos que prestam seus serviços na África do Sul compartilhem qualidades como excelência profissional e dedicação, cada um chegou a este ponto meridional da geografia africana após experiências díspares em outras latitudes.
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No entanto, existem características comuns: muitos tiveram que cruzar as fronteiras de suas especialidades primárias para entrar em outras, conforme as circunstâncias exigiam.

Crescendo como profissionais e como seres humanos.

Outro aspecto que esses médicos compartilham na África do Sul, e muitos dos profissionais de saúde cubanos que prestam seus serviços em muitos países, é que todos continuam recebendo seus salários integrais em Cuba.

Além disso, recebem nos países onde encontram uma bolsa, parte do pagamento de seu trabalho, e isso é mais do que suficiente para satisfazer suas necessidades e ajudar financeiramente suas famílias em Cuba.

Também estão cientes de que a porcentagem remetida a Cuba, segundo um contrato voluntário prévio, contribui para que o sistema nacional de saúde cubano seja gratuito e universal.

Dito isso, em todo lugar onde há um médico cubano, as histórias de vida podem ser enriquecedoramente diferentes.

Enquanto alguns podem se comunicar em inglês com seus pacientes, outros devem, dado o nível educacional da população que atendem, aprender as línguas locais, e na África do Sul existem muitas, cerca de 17, 11 delas oficiais.

Na conversa com seus colegas e pacientes, as qualificações são comuns a todos: uma reiteração sem fim de elogios tanto pelo desempenho profissional quanto, sobretudo, pelo calor humano no tratamento, na convivência no dia a dia em seus hospitais ou clínicas .

TAUNG, NO CORAÇO DA ÁFRICA DO SUL

Ao mencionar a cidade de Taung, no sudoeste da província sul-africana de North West, pode-se inicialmente lembrar da famosa ‘Criança de Taung’, um crânio de Australopithecus africanus de 2,5 milhões de anos encontrado ali em 1924. Seu estudo é considerado o primeiro na paleontologia humana moderna.

Sem deixar de lado aquele fragmento da história, para o Dr. José Antonio Albert, este lugar significa milhares de pessoas necessitadas de atendimento médico, a quem desde 2016 se dedica 24 horas por dia no Hospital Distrital de Taung.

Natural de Pinar del Río, formado em 1987, especialista em Medicina Geral Integral (MGI), com uma posterior segunda especialidade em Otorrinolaringologia, Albert alterna o trabalho assistencial com o administrativo como chefe da Brigada Médica Cubana da área, composta por cerca de 10 médicos.

Tentar sentar-se com ele no hospital para entrevistá-lo é nada menos que impossível, pois ele anda constantemente pelas enfermarias o dia todo (carregando debaixo do braço uma caixa com os instrumentos da especialidade para examinar seus pacientes).

Quer dizer, quando você não entra na sala de cirurgia para fazer uma cirurgia que, se não for complicada, permite que você volte no final do dia para descansar em casa (a cerca de 20 quilômetros do hospital). Em caso de imprevisto, as horas deixam de contar.

Isso coincide com a visão que o Dr. Batr tem dele, com poucas palavras, que foi vice-diretor de assistência médica do Hospital Distrital de Taung por mais de 20 anos, para quem Albert é um trabalhador muito dedicado à sua profissão, afetuoso com todos os pacientes e o resto dos trabalhadores, e, acima de tudo, altamente treinado.

Gostaria que o tivéssemos aqui por muitos mais anos, expresso como desejo profissional.

Para ganhar essa opinião, o Dr. Albert teve que percorrer um caminho que, em termos de experiências internacionais, começou em 2000 na própria África do Sul, onde atuou como médico generalista integral até 2004, embora em outra região.

Depois, já graduado como Otorrino, serviu na Guiné Equatorial entre 2010 e 2012.

O RELEVO PRONTO

Também trabalhando atualmente no Hospital Distrital de Taung está o Dr. Yordan Armando Matías Rodríguez, MGI, 30, natural de Manzanillo, no leste de Cuba.


Na África do Sul, ele enfrentou o desafio profissional de sua vida.

Inicialmente, passou a prestar serviços no hospital St Barnabas, no distrito de Oliver Tambo, na província de Eastern Cape, onde ele só atendia mais de 30 leitos hospitalares, mais 12 em Unidades de Terapia Intensiva, prestando cuidados principalmente a doentes de Covid-19. Porém, devido às demandas de saúde, teve que entrar em regime de urgência na especialidade de Anestesia.

Os primórdios, recorda, não foram fáceis, porque até as suas condições de vida não eram ‘ideais’, no entanto, naquela zona rural, relativamente isolada, diz, nunca sentira que – uma família à parte – o tivesse amado tanto quanto lá.

Atendia camponeses com pouco ou nenhum conhecimento de inglês, por isso aprendeu rapidamente várias expressões em isiXhosa (idioma local) para entendê-las. E ele conseguiu.

Nisso, reconhece com gratidão, recebeu muito apoio e cordialidade de seu chefe imediato, formado há anos como médico em Cuba. Da entrega 24 horas por dia, diz que, com o seu trabalho, o hospital tornou-se o melhor do Distrito em termos de indicadores de sobrevivência à Covid-19.

Da mesma forma, ao final de sua estada naquele hospital, colegas e pacientes despediram-se dele de surpresa, tratando-o – inclusive com roupas – como um Rei Xhosa, levando-o pelo povoado a em uma tenda erguida exclusivamente em sua homenagem, com símbolos de gratidão que lhe arrancaram lágrimas.

Já em Taung, a aplicação dos conhecimentos adquiridos em anestesia continuou, embora na maior parte do tempo a vida seja dedicada na zona vermelha do hospital, com o tratamento de pacientes de Covid-19 internados ali.

Sobre ele, seu veterano colega Albert e outros médicos cubanos que trabalharam no Hospital Taung District, o Dr. Batr só tem palavras de elogio: em geral, diz ele, todos os médicos cubanos que encontrei aqui, com quem trabalhei, são muito capazes, muito qualificados. Eles conhecem seu trabalho muito bem.

ALGO MAIS AO SUL

Cerca de 20 quilômetros ao sul, já na província de Northern Cape, trabalha o Dr. Lorenzo López Rodríguez, originário de Sancti Spíritus, cerca de 400 quilômetros a leste de Havana.

Profissionalmente, ele pode ser descrito como um Clínico Geral Completo ‘reforçado’, pois antes de vir para a África do Sul, e sabendo dos colegas como eram as exigências da Medicina no país, ele ministrou por iniciativa própria os cursos de cirurgia e obstetrícia geral.

Ele também foi treinado no manejo da tuberculose multirresistente.

Porém, antes de vir para a África do Sul, onde chegou em 2017, cumpriu missões internacionalistas na Venezuela e na Guiana, experiências muito diferentes das vividas até então em Cuba e que em parte o prepararam para a cena africana.

Agora, em Hartswater, uma cidade agrícola, com uma larga rua ladeada por lojas, que lembra alguns filmes de faroeste, ele trabalha no Connie Vorster Memorial Hospital, um hospital assistencial de nível 1, com um total de 46 leitos, onde assume as áreas de maternidade e ginecologia.

Lá, chegam pacientes de cerca de 15 clínicas comunitárias, tanto da própria província do Northern Cape quanto da vizinha North West.

Além disso, uma vez por semana, ele viaja para uma área mais rural, se possível, para comparecer a uma clínica local para pacientes nessa área.

Dele, o Dr. Ben Tshitenge, Diretor Adjunto Clínico e Diretor Interino do hospital, tem apenas elogios. O Dr. Lorenzo, diz que ele é um dos médicos mais experientes que temos. Quando não estou disponível ele assume todas as funções de gestão do hospital, mantendo ao mesmo tempo o seu trabalho assistencial.

Confio totalmente na sua dedicação, no seu profissionalismo, nas suas qualidades humanas, frisa.

Ele está sempre disponível, em todos os momentos, com muita disposição para realizar qualquer trabalho que surgir em seu caminho, acrescenta.

Em geral, observa Tshitenge, os médicos cubanos tornam o trabalho com eles muito fácil. Eles nos ajudam muito aqui na África do Sul. Sua colaboração é muito valiosa para nós, tanto em hospitais, clínicas e no trabalho de campo.

Por seu lado, Tansane Mmusi, a enfermeira-chefe do hospital, insiste que o Dr. Lorenzo é um médico do tipo que ninguém pode perder.

Aqui em Hartswater, diz, ele é amado por toda a comunidade, para a qual ele é uma figura paterna. Ele é, na verdade, um de nós (sul-africanos).

A enfermeira Dijong, que trabalha lado a lado com Lorenzo, se manifesta de maneira semelhante: Todos no Hospital Connie Vorster queremos que fique aqui para sempre. ‘Ele é ao mesmo tempo, 24 horas por dia, médico, enfermeiro, tudo. Ele também é uma pessoa muito acessível, humana, que respeita todos os trabalhadores.’

A gente gosta de trabalhar com ele, mais do que um médico, ele é nosso amigo, enfatiza.

PARTE DE ALGO MUITO MAIOR

Embora a colaboração médica de Cuba com a África do Sul possa ser qualificada, pelo menos do ponto de vista humano, como a mais importante, as relações entre as duas nações não se limitam a ela. Já em 11 de maio de 1994, os presidentes Nelson Mandela e Fidel Castro formalizaram relações diplomáticas bilaterais. Essa foi uma das primeiras ações de política externa do novo governo em uma África do Sul livre do regime de segregação.

No entanto, antes dessa data, já havia uma longa história comum. Desde o triunfo da Revolução em 1959, Cuba se tornou um apoiador ativo da luta contra o apartheid.

A partir de 1961, antes mesmo do Julgamento de Rivonia, após o qual Mandela foi preso, jovens sul-africanos membros das forças anti-apartheid começaram a viajar a Cuba para treinamento profissional em medicina e ciência.

Posteriormente, a relação entre Cuba e a África do Sul consolidou-se nos campos de batalha de Angola, onde quase meio milhão de combatentes cubanos uniram seu destino ao dos guerreiros africanos para rejeitar o apartheid.

As relações entre a África do Sul e Cuba, exemplo de cooperação Sul-Sul, ocorrem atualmente nas áreas, além da Saúde, de educação, ciência e tecnologia, agricultura, desenvolvimento de infraestrutura, habitação, água e saneamento, defesa, assentamentos humanos , obras públicas, esportes, tecnologias de informação e comunicação, entre muitos outros.

arb / mv / hb

(*) Correspondente da Prensa Latina na África do Sul

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