28 de November de 2021

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Arquivo Histórico Tina Modotti: uma entrevista com sua criadora

Arquivo Histórico Tina Modotti: uma entrevista com sua criadora

Roma, 8 set (Prensa Latina) Em Bonefro, localidade da região de Molise, no sul da Itália, encontra-se o Arquivo Histórico de Tina Modotti com seu valioso acervo de textos e documentos sobre a artista e lutadora revolucionária.
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A criadora e curadora do arquivo é a escritora e pesquisadora alemã Christiane Barckhaussen Canale, autora do livro ‘ Verdad y Leyenda de Tina Modotti ‘, Prêmio de Ensaio da Casa das Américas em 1988, com quem a Prensa Latina falou sobre este projeto nascido em Berlim a alguns anos atrás.

‘Este arquivo consiste em cópias de todos os materiais sobre a vida de Tina e sua família que pude coletar em 40 anos de pesquisa em arquivos de diferentes países como México, Cuba, Espanha, Rússia, Alemanha e Itália, eles são documentos da vida de Tina’, explicou Christiane em espanhol, língua da qual foi tradutora e intérprete.

‘Ultimamente se formou uma espécie de grupo de pesquisadores com gente do México, Londres e Madri, nos quais trocamos materiais recentemente publicados ou encontrados em arquivos dos Estados Unidos, por exemplo, com os quais o arquivo se enriqueceu muito nos últimos dois ou três meses’.

‘Em todo caso, acho que vai crescer ainda mais e estou feliz por ter encontrado um lugar fixo para a vida de Tina e sua família em sua terra natal’, especificou ela ao referir-se à transferência da coleção para Bonefro em 1ú de setembro de 2016.

Nascida em 1942 em Berlim, a escritora cresceu lá onde começou a estudar Etnologia em 1960 até que dois anos depois descobriu que acabaria trabalhando em um museu limpando a poeira dos artefatos expostos em uma estante e se inquietou pois não era assim que ela imaginara sua vida.

Por essa época, ela entrou em contato com a embaixada cubana na então República Democrática Alemã e conheceu heróis que lutaram contra a invasão mercenária de Playa Girón (1961), que estavam recebendo tratamento médico em um hospital de Berlim.

Trabalhou vários anos como tradutora na sede da missão diplomática da nação caribenha e, posteriormente, fez o mesmo trabalho de forma independente como tradutora simultânea em congressos internacionais e traduções do espanhol para o alemão.

Começou a escrever por volta de 1980 e em 1982 conheceu Tina Modotti e decidiu que seu próximo livro seria uma biografia daquela mulher que brilhava com luz própria.

Nesse sentido, Christiane destacou que começou a investigar sem nenhuma experiência anterior em arquivos ou bibliotecas, mas estava aprendendo e, assim, disse: ‘Pude fazer a biografia publicada há muitos anos pela Casa das Américas’.

Quando fala de Cuba, o faz com o carinho que se constrói em uma relação iniciada há mais de seis décadas. ‘Um país que amo e tem a minha solidariedade em todos os momentos’, frisou.

Referindo-se a Tina Modotti, ela destacou ‘seu incrível sentimento de solidariedade para com o próximo’, que começou quando ainda criança, aos 12 anos, trabalhava e ganhava dinheiro para alimentar sua mãe e quatro irmãos que ficaram sozinhos na Itália depois da partida do pai para a América.

A este respeito, ela destacou esse elemento também em seu trabalho como fotógrafa, porque ela soube ver nas ruas da Cidade do México e no campo mexicano ‘a exploração dos trabalhadores, a miséria das crianças, os contrastes entre a riqueza e pobreza e com essas fotos revelou a situação do país onde vivia. ‘

Mais tarde, disse ela, quando trabalhou no Socorro Vermelho Internacional, encontrou o lugar perfeito para estar em solidariedade com os outros, ajudando os feridos da guerra na Espanha, presos políticos e em vários países do mundo, ajudando todos aqueles que precisavam de ajuda ‘e tudo isso em silêncio’, nunca em primeiro plano.

Um momento de especial significado na vida de Tina foi sua relação com o líder estudantil comunista cubano Julio Antonio Mella, com quem compartilhou a trincheira e o amor de casal.

Nesse sentido, a pesquisadora destacou que ‘foi uma relação breve, mas muito intensa ‘ e acrescentou que ‘compartilhavam as mesmas ideias de mundo’ e o que deveria ser mudado, ‘que tipo de mundo deveria ser construído’ e destacou que entre os dois havia uma relação tão forte que é difícil imaginar que pudesse ser verdadeiramente alcançada na vida.

Tina Modotti caminhava com Julio Antonio Mella por uma rua central da Cidade do México na noite de 10 de janeiro de 1929, quando o jovem revolucionário cubano foi assassinado por pistoleiros a serviço do ditador Gerardo Machado.

ga/fgg/cm

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