3 de December de 2021

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Relações EUA-El Salvador vivem uma crise sem precedentes

Relações EUA-El Salvador vivem uma crise sem precedentes

San Salvador, (Prensa Latina) As relações entre os governos de El Salvador e dos Estados Unidos estão passando por uma crise sem precedentes, agravada pela chegada do democrata Joe Biden à Casa Branca.
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Uma escalada de desentendimentos, confrontos e rudeza semeou esta percepção na sociedade salvadorenha, confirmada em todas as suas cartas pelo diplomata e analista político Rubén Zamora.

Para Zamora, embaixador de El Salvador nos Estados Unidos durante o mandato de Barack Obama, a frieza com que o presidente Nayib Bukele tratou o enviado especial de Biden, Ricardo Zúñiga, deixou o desentendimento às claras.

Bukele recusou-se a encontrar-se com Zúñiga durante uma visita inicial em abril passado e, somente nesta semana, ele o recebeu, mas sem comentar sobre a reunião nas mídias sociais, como ele costuma fazer quando é de seu interesse.

A verdade é que nem mesmo durante as duas administrações da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN, à esquerda) havia uma atmosfera entre San Salvador e Washington tão tensa e distante.

Os laços começaram a diminuir após a vitória dos democratas nas eleições presidenciais de novembro passado, o que marcou uma tábua rasa nas relações bilaterais, especialmente por causa da mudança na correlação de poder no Congresso.

Vários legisladores influentes não viram com bons olhos que Bukele os ‘ignorou’ em suas transmissões nacionais, com uma atitude de desafio que ele raramente demonstrou diante da rudeza do ex-presidente Donald Trump.

A este respeito, Zamora disse à Prensa Latina que a relação Bukele-Trump chegou ao ponto de submissão quando El Salvador, um país do qual milhares de pessoas fogem de sua situação a cada ano, concordou em receber aqueles que vêm para os Estados Unidos em busca de asilo.

Tão absurdo foi o pacto Terceiro País Seguro que o Secretário de Estado Anthony Blinken o suspendeu em fevereiro passado, não antes de tomar as rédeas da política externa da administração Biden.

Um negociador dos Acordos de Paz que põem fim a 12 anos de conflito armado, Zamora advertiu que há políticos no Capitólio que conhecem muito bem El Salvador e se preocupam com este país.

‘Muitas das pessoas que Bukele desconsiderou fazem parte agora das comissões que decidem sobre cooperação e fundos para o desenvolvimento, ou seja, é um terreno que o presidente perdeu’, disse o historiador.

Assim, legisladores como Jim McGovern, Norma Torres ou Albio Sires se pronunciaram contra certas posições autoritárias de Bukele, e até mesmo a bancada hispânica criticou a hostilidade do presidente salvadorenho.

Ao mesmo tempo, após a instalação da nova legislatura, controlada pelo partido governista Novas Ideias, foi aprovada uma série de medidas que foram criticadas até mesmo pela vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris.

Em meio à controvérsia surgiu a nova visita de Zúñiga, que Zamora interpretou como um ultimato diplomático, e a resposta de Bukele foi ressaltar que as mudanças iniciadas foram ‘irreversíveis’. Tal posição, que poderia tornar a vida difícil para os milhões de migrantes salvadorenhos que vivem nos Estados Unidos cujas remessas praticamente sustentam este país, sugere que Bukele está disposto a enfrentar quaisquer consequências.

Além disso, o chefe de Estado amigo da mídia insiste na mensagem que enviou à comunidade internacional em 1ú de maio: ‘Nossas portas estão mais abertas do que nunca. Mas com todo respeito: estamos limpando nossa casa… e isso não é da sua conta’.

ga/cmv/vmc

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