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Jornal INVERTA

FIDEL

__________

os últimos artigos de FIDEL traduzidos para português

(01/07) O percurso de McCain e o destino manifesto da IV Frota

(27/06) Fidel Castro: Salvador Allende, um exemplo que perdura

(23/06) Fidel Castro: Os direitos humanos, o esporte e a paz

(22/06) Fidel Castro: A verdade e as diatribes

(21/06) Fidel Castro: Estados Unidos, Europa e os Direitos Humanos

(19/06) Fidel Castro: A formiga pode mais que o elefante!

(26/05) Fidel Castro: A política cínica do império

(23/05) Fidel Castro: As idéias imortais de Martí

(19/05) Fidel Castro analisa Cúpula América Latina e Caribe-União Européia

(05/05) Resposta hemisférica ianque: a IV Frota de intervenção

(02/05) Fidel Castro: Uma prova de fogo

(25/04) Nosso espírito de sacrifício e a chantagem do império

(23/04) Os vivos e os mortos

(21/04) Fidel Castro destaca mensagem papal de paz e prosperidade

(16/04) Fidel Castro chama a não fazer concessões à ideologia inimiga

(11/04) Fidel Castro: Bush, os milionários, o consumismo e o subconsumo

(01/04) Fidel Castro: Tenho muitas razões para crer na vitória chinesa

(31/03) Fidel Castro: A vitória chinesa (Parte I)

(30/03) Fidel Castro destaca trabalho de médicos cubanos no Peru

(18/03) Fidel Castro: A viagem triunfal

(17/03) Fidel Castro: o império tem sede de sangue

(16/03) Fidel Castro: o império não se resigna a ser o único perdedor

(10/03) Fidel Castro destaca resultados de congresso estudantil

(09/03) Fidel Castro qualifica de excelente reunião com Hugo Chávez

(08/03) Fidel Castro destaca resultados da Cúpula do Grupo de Rio

(07/03) Fidel Castro denuncia plano imperialista contra presidente Hugo Chávez

(03/03) Fidel Castro: Os cristãos sem Bíblias

(29/02) Fidel Castro: Espero não ter que me envergonhar

(23/02) Fidel Castro: ninguém se lembrava da OEA

(22/02) Fidel Castro: mudança!, mas nos Estados Unidos

(19/02) Fidel Castro anuncia que não aspirará nem aceitará a reeleição

(16/02) Fidel Castro Conclui reflexões sobre o candidato republicano

(15/02) Fidel Castro pergunta se McCain está consciente da crise nos E.U.A.

(13/02) Fidel Castro afirma que McCain é instrumento da máfia anticubana

(12/02) Fidel Castro analisa propostas de McCain

(11/02) Fidel Castro qualifica de alucinante acusação de John McCain

(04/02) Fidel Castro rende tributo a Volodia Teitelboim

(01/02) Fidel Castro enumera fatores que complicam situação do planeta

(30/01) Fidel Castro critica discurso de Bush ante o Congresso

(29/01) Fidel Castro: Homenagem a Martí

(25/01) Fidel Castro comenta aspectos de seu recente encontro com Lula

(24/01) Fidel Castro destaca trajetória política de Lula

(22/01) Fidel Castro: Deixou-nos Íris Dávila

(20/01) Fidel Castro: Aos compatriotas do Ocidente

(16/01) Fidel Castro: Presente de Reis

(08/01) Fidel Castro rende tributo à especialista chilena em reabilitação

(01/01) Mensagem de Fidel Castro ao povo de Cuba

(28/12) Fidel Castro alerta sobre ameaças à espécie humana

(18/12) Fidel Castro destaca acordos vinculados à mudança climática

(03/12) Fidel Castro felicita Hugo Chávez por sua dignidade e ética

(30/11) Fidel Castro: "Um povo sob a mira de fogo"

(20/11) Fidel Castro: A fatura petroleira e o desenvolvimento

(19/11) Fidel Castro: O Diálogo com Chávez

(17/11) Fidel Castro: Em Homenagem a Sergio del Valle

(16/11) Fidel: Waterloo ideológico

(12/11) ARTIGO DE FIDEL - O debate da Cúpula

(10/11) ARTIGO DE FIDEL - Avaliação Cúpula Ibero-americana - O valor das idéias

(03/10) A resposta de Milosevic 

(02/10) As guerras ilegais do império

(30/09) Fidel Castro: O silêncio de Aznar

(04/09) ARTIGO FIDEL - Os super-revolucionários

(27/08) ARTIGO FIDEL- A submissão à política imperial

(25/08) ARTIGO DE FIDEL - Chibás, ao se completarem 100 anos de seu natalício

(22/08) ARTIGO DE FIDEL - Derrota moral sem precedentes do império

(17/08) ARTIGO DE FIDEL -O império e a ilha independente

(05/08) ARTIGO DE FIDEL - A Política e o Esporte

(03/08)ARTIGO DE FIDEL - Reflexão sobre duras e evidentes realidades

(31/07) ARTIGO DE FIDEL - Apesar de tudo

(29/07) ARTIGO DE FIDEL - A Repugnante compra e venda de atletas

(24/07) ARTIGO DE FIDEL - O Brasil substituto dos Estados Unidos?

(17/07) ARTIGO DE FIDEL – O ROUBO DE CÉREBROS

(17/07) ARTIGO DE FIDEL – REFLEXÃO SOBRE OS PANAMERICANOS

(20/07) ARTIGO DE FIDEL - outra refelexão sobre os Panamericanos

(14/07) ARTIGO DE FIDEL - BUSH, A SAÚDE E A EDUCAÇÃO

(10/07) ARTIGO DE FIDEL - Auto-crítica de Cuba

(07/07) ARTIGO DE FIDEL - A tirania mundial - Os Fundamentos do Engenho de Matar

(01/07) ARTIGO DE FIDEL - O engenho de matar

(29/06) ARTIGO DE FIDEL - O bom deus me protegeu de Bush

(28/06) ARTIGO DE FIDEL - Uma resposta digna

(25/06) ARTIGO DE FIDEL - Mais um argumento para o Manifesto

(23/06) ARTIGO DE FIDEL - Reflexão sobre as reflexões

(21/06) ARTIGO DE FIDEL - As lutas de Vilma

(18/06) ARTIGO DE FIDEL - Jamais terão Cuba

(14/06) ARTIGO DE FIDEL - Necessitado de carinho

(11/06) ARTIGO DE FIDEL - O tirano visita Tirana

(07/06) ARTIGO DE FIDEL - AS MENTIRAS E OS EMBUSTES DE BUSH

(30/05) ARTIGO DE FIDEL - A REUNIÃO DO G-8

(28/05) ARTIGO DE FIDEL – NÃO SE PODE MATAR AS IDÉIAS

(25/05) ARTIGO DE FIDEL - BUSH À ESPERA DE UM ESTRONDO

(23/05) ARTIGO DE FIDEL - PARA OS SURDOS QUE NÃO QUEREM OUVIR

(22/05) ARTIGO DE FIDEL - Ninguém quer pegar o touro pelos chifres

(20/01) ARTIGO DE FIDEL - O SUBMARINO INGLÊS

(16/05) ARTIGO DE FIDEL - A Opinião Unânime

(14/05) ARTIGO DE FIDEL - O que aprendemos do VI Encontro Hemisférico de Havana

(09/05) ARTIGO DE FIDEL - INTENSIFICA-SE O DEBATE

(07/05) ARTIGO DE FIDEL - TRAGÉDIA QUE AMEAÇA À NOSSA ESPÉCIE

(30/04) ARTIGO DE FIDEL - SE IMPÕE DE IMEDIATO UMA REVOLUÇÃO ENERGÉTICA

(10/04) ARTIGO DE FIDEL - A RESPOSTA BRUTAL

(03/04) ARTIGO DE FIDEL - A INTERNACIONALIZAÇÃO DO GENOCÍDIO

(28/03) ARTIGO DE FIDEL - CONDENADOS A MORTE PREMATURA POR FOME E SEDE MAIS DE 3 MIL MILHÕES DE PESSOAS NO MUNDO

 

SEMANA

Veja também:

O percurso de McCain e o destino manifesto da IV Frota

 

Havana, 1 jul (Prensa Latina) Fidel Castro afirmou que aqueles que são atraídos pela cínica Lei de Ajuste Cubano e que o fazem diretamente ou por terceiros países, de forma clandestina ou sob qualquer manto legal, não apenas cometem uma falta depreciável de ética, senão que privam de especialistas e pessoal qualificado a economia do nosso povo.

 

Num artigo titulado "O percurso de McCain e o destino manifesto da IV Frota", especialmente para a publicação digital Cubadebate, o líder da Revolução cubana acrescenta que "é o roubo descarado de cérebros e de braços produtivos que a nossa pátria, em sua luta heróica, está no dever de combater firmemente".

 

A Prensa Latina transmite a seguir o texto na íntegra:

 

Reflexões do companheiro Fidel

 

O percurso de McCain e o destino manifesto da IV Frota

 

Especial para Cubadebate

 

Enquanto elaborava uma reflexão sobre as relações de McCain com a máfia terrorista anticubana de Miami e outros temas vinculados de interesse histórico, chegaram notícias frescas sobre este personagem que os falcões do império projetam como substituto de Bush: sua visita à Colômbia e ao México, que se iniciará amanhã. Não é possível evitá-las, porque de fato confirmam as opiniões que temos estado sustentando.

 

"McCain estará dois dias na Colômbia a partir de amanhã, terças-feira, e depois se deslocará a México", informa o jornal panamenho La Prensa.

 

"A IV Frota dos Estados Unidos volta a patrulhar águas latino-americanas", publica Clarín, o órgão de imprensa de maior circulação na Argentina, "desta vez sob o comando do contra-almirante Joseph Kernan. O currículo de Kernan, até agora máximo chefe do Comando de Táticas Especiais de Guerra Naval, não é menos preocupante", comenta o jornal. "O contra-almirante da marinha pertence ao grupo SEAL, um comando de elite com homens selecionados para as mais difíceis operações especiais, preparados para atuar nas condições mais adversas e exigentes. Operaram no Vietnam, Camboja e Laos. A eleição de Kernan para a IV Frota, segundo admite o próprio Pentágono, é absolutamente incomum ou "É mais, com esta decisão, o Comando Sul atingiu o mesmo nível de importância que o Comando Central que opera com a V Frota no Golfo Pérsico. "

 

"Que razão poderia ter os Estados Unidos para enviar uma força naval tão poderosa a uma região em paz, sem poder nuclear, sem conflitos nem ameaças militares reais?", pergunta-se o jornal.

 

"Nunca vão admitir que devido aos recursos naturais, mas não é uma coincidência que esta decisão apareça quando se inicia uma mudança estrutural na economia mundial na que as reservas de água doce, os alimentos e os recursos energéticos se posicionam como um valor estratégico importante", responde o Professor Khatchik Der Ghougassian, especialista em temas de segurança da Universidade argentina de San Andrés. O Professor acrescenta que "não ocultam a imensa importância que os mares do sul do Hemisfério Ocidental têm e admitem que a capacidade de atuação irá aumentar pois a IV Frota supervisionará barcos e aviões, incluindo os civis e comerciais, que naveguem ao sul dos Estados Unidos."

 

"James Stavridis, o atual Chefe do Comando Sul", prossegue o Clarín, "acrescentou ao narcotráfico, a luta contra o terrorismo e a possibilidade de responder à migração em massa de refugiados de países como Haiti ou Cuba. James Stevenson, comandante da Marinha do Comando Sul, explicou que seus navios chegarão até o tremendo sistema de rios na América do Sul, navegando mais nas águas marrons que nas tradicionais águas azuis. Isto é, um vasto controle no interior do território latino-americano.

 

"O Comando Sul realiza uma atividade social como partilha de alimentos ou medicamentos que lhes permite convencer ao Congresso norte-americano de que esta penetração está justificada", acrescentou o jornal argentino.

 

Por sua vez, El Universal, do México, com o título "John McCain irá da Basílica a Iztapalapa", publica:

 

"John McCain não viajará ao México apenas para fazer política. Ou talvez não apenas política partidária. O candidato republicano visitará a Basílica de Guadalupe. Também percorrerá um dos bairros perigosos da cidade do México."

 

"A visita que McCain realizará pela Colômbia e México mantém sua equipe de colaboradores trabalhando horas extras, inclusive nos fins de semana", comenta o jornal. "No sábado pela noite um evento que estava planejado como um brinde de despedida depois do encerramento da Conferência Nacional da Associação de Oficiais Latinos Eleitos (NALEO, segundo as siglas em inglês), transformou-se em uma mesa de discussões sobre o alcance de sua viagem à América Latina... levantar-se-á cedo para dar  uma entrevista ao noticiário da Televisa. Depois irá ao norte da cidade, onde está considerada uma visita de meia hora à Basílica de Guadalupe... assistirá a um almoço com membros da Câmara Americana de Comércio no México. Mais tarde terá uma reunião com empresários mexicanos e estadunidenses... encerrará com uma visita ao bairro de Iztapalapa, onde conhecerá as estratégias de combate ao crime organizado e em favor da unidade comunitária."

 

Enquanto chovem os comentários associados ao candidato republicano, no Sul da Flórida vivem 52.521 pessoas com mais de um milhão de dólares, segundo o último relatório detalhado de uma importante entidade investigadora. Quase todos os capitais procederam da América Latina.

 

McCain, homem que não é conhecido como devoto piedoso, pensa que rezando na Basílica de Guadalupe enganará aos católicos, protestantes, brancos, negros, índios e mestiços, nos países onde, ao contrário, a pobreza extrema cresce dia a dia.

 

Hoje o Granma publicou na primeira página: "Multam nos Estados Unidos aerolinha por violar bloqueio contra Cuba", enquanto um órgão mexicano de imprensa fala que aproximadamente 57 mil cubanos chegaram a esse país entre 2005 e 2007. Como se sabe, 20 mil cubanos de diversas idades, com exceção daqueles que cumprem algum dever social inevitável, são legalmente autorizados a cada ano a emigrar a esse país; viajam de forma segura, tanto crianças como adultos que receberam educação e são saudáveis. É um sacrifício que, em pró da reunificação familiar, Cuba contribui.

 

Aqueles que atraídos pela cínica Lei de Ajuste Cubano o fazem diretamente ou por terceiros países, de forma clandestina ou sob qualquer manto legal, não apenas cometem uma falta depreciável de ética, senão que privam de especialistas e pessoal qualificado a economia do nosso povo. É o roubo descarado de cérebros e de braços produtivos que a nossa pátria, em sua luta heróica, está no dever de combater firmemente.

 

Outro dia publicarei a reflexão que tinha elaborado. Vale a pena conhecer a verdadeira história.

 

Fidel Castro Ruz

 

30 de junho de 2008

 

5 e 16 p.m.

 

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Fidel Castro: Salvador Allende, um exemplo que perdura

Havana, 27 jun (Prensa Latina) O exemplo do falecido presidente chileno Salvador Allende perdurará, reafirmou o líder cubano Fidel Castro, ao cumprir-se um século do nascimento de quem "combateu como um leão até o último suspiro" defendendo o Palácio de la Moneda em 1973.

"Os revolucionários que resistiram ali à investida fascista contaram coisas fabulosas sobre os momentos finais", apontou Fidel Castro em sua mais recente reflexão, titulada
"Salvador Allende, um exemplo que perdura", publicada nesta sexta-feira, pelo jornal Granma.

"As versões nem sempre coincidiam, porque lutavam de diferentes pontos do Palácio. Ademais, alguns de seus mais próximos colaboradores morreram ou foram assassinados após o duro e desigual combate", recordou.

Explicou que a diferença dos depoimentos consistia em que uns afirmavam que os últimos disparos foram feitos por ele contra si próprio para não cair prisioneiro, e outros que sua morte se deu por fogo inimigo. Não há contradição alguma entre ambas as formas de cumprir o dever, destacou o líder da Revolução cubana, ao rememorar que "em nossas guerras de independência houve mais de um exemplo de combatentes ilustres que, quando já não havia defesa possível, privaram-se da vida antes de cair prisioneiros".

A Prensa Latina transmite a seguir o texto na íntegra:

Reflexões do companheiro Fidel

Salvador Allende, um exemplo que perdura

Nasceu há cem anos em Valparaíso, no sul do Chile, em 26 de junho de 1908. Seu pai, de classe média, advogado e notário, militava no Partido Radical chileno. Quando eu nasci, Allende tinha 18 anos. Realiza seus estudos médios em um liceu da cidade natal.

Em seus anos de estudante pré-universitário, um velho anarquista italiano, Juan Demarchi, o põe em contato com os livros de Marx.

Gradua-se como aluno excelente. Gosta de esporte e o pratica. Entra como voluntário no serviço militar no Regimento Coraceros de Viña del Mar. Solicita translado ao Regimento Lanceros de Tacna, um enclave chileno no norte seco e semi-desértico, posteriormente devolvido ao Peru. Egressa como oficial de reserva do Exército. Já o faz como homem de idéias socialistas e marxistas. Não se tratava de um jovem mole e sem caráter. Era como se adivinhasse que um dia combateria até a morte defendendo as convicções que já começavam a se formar em sua mente.

Decide estudar a nobre carreira de Medicina na Universidade do Chile. Organiza um grupo de colegas que se reúnem periodicamente para ler e discutir sobre o marxismo. Funda o Grupo Avance em 1929. É eleito vice-presidente da Federação de Estudantes do Chile em 1930 e participa ativamente na luta contra a ditadura de Carlos Ibáñez.

A grande depressão econômica nos Estados Unidos já havia se desatado com a crise da Bolsa de Valores que estalou em 1929. Cuba entrava na luta contra a tirania machadista. Mella tinha sido assassinado. Os operários e os estudantes cubanos enfrentavam a repressão. Os comunistas, com Martínez Villena à frente, desatavam a greve geral. "Faz falta carga para matar safados, para terminar a obra das revoluções..." — tinha proclamado em vibrante poema. Guiteras, de profunda raiz antiimperialista, tenta derrocar a tirania com as armas. Cai Machado, que não pôde resistir ao empurre da nação, e surge uma revolução que os Estados Unidos em poucos meses, com luvas de pelica e mão de ferro, esmaga, e seu domínio absoluto perdura até 1959.

Durante esse período Salvador Allende, em um país onde a dominação imperialista se exercia brutalmente sobre seus trabalhadores, sua cultura e suas riquezas naturais, realiza uma luta conseqüente que nunca o afastou de sua irrepreensível conduta revolucionária.

Em 1933 forma-se como médico. Participa na fundação do Partido Socialista do Chile. É já dirigente em 1935 da Associação Médica Chilena. É preso durante quase meio ano. Impulsiona o esforço para criar a Frente Popular, e o elegem subsecretário geral do Partido Socialista em 1936.

Em setembro de 1939 assume a pasta de Salubridade no governo da Frente Popular. Publica um livro seu sobre medicina social. Organiza a primeira Exposição da Moradia. Participa no ano 1941 na reunião anual da Associação Médica Americana nos Estados Unidos. Ascende em 1942 a Secretário Geral do Partido Socialista do Chile. Vota no Senado, no ano 1947, contra a Lei de Defesa Permanente da Democracia, conhecida como "Lei Maldita" por seu caráter repressivo. Ascende em 1949 a Presidente do Colégio Médico.

Em 1952 a Frente do Povo o postula para Presidente. Tinha então 44 anos. Perde. Apresenta no Senado um projeto de lei para a nacionalização do cobre. Viaja à França, Itália, União Soviética e a República Popular da China em 1954.

Quatro anos depois, em 1958, é proclamado candidato à Presidência da República pela Frente de Ação Popular, constituída pela União Socialista Popular, o Partido Socialista do Chile e o Partido Comunista. Perde a eleição para o conservador Jorge Alessandri.
Assiste em 1959 à tomada de posse de Rómulo Betancourt como Presidente da Venezuela, considerado até então como uma figura revolucionária de esquerda.

Viaja nesse mesmo ano a Havana e se entrevista com o Che e comigo. Respalda em 1960 aos mineiros do carvão, que paralisam seu trabalho durante mais de três meses.
Denuncia junto ao Che em 1961 o caráter demagógico da Aliança para o Progresso na reunião da OEA que aconteceu em Punta del Este, Uruguai.

Designado de novo candidato à Presidência, é derrotado em 1964 por Eduardo Frei Montalva, democrata-cristão que contou com todos os recursos das classes dominantes e que, segundo dados revelados em documentos tornados públicos do Senado dos Estados Unidos, recebeu dinheiro da CIA para apoiar sua campanha. Em seu governo, o imperialismo tratou de desenhar o que se chamou a "Revolução em Liberdade", como resposta ideológica à Revolução Cubana. O que a engendrou foram os fundamentos da tirania fascista. Nessa eleição, Allende obtém, no entanto, mais de um milhão de votos.

Encabeça em 1966 a delegação que assiste à Conferência Tricontinental de Havana. Visita a União Soviética no 50°Aniversário da Revolução de Outubro. No ano seguinte, 1968, visita a República Democrática da Coréia, a República Democrática do Vietnã, onde tem a satisfação de conhecer e conversar com o extraordinário dirigente desse país, Ho Chi Minh. Inclui nesse mesmo percurso o Camboja e Laos, em plena efervescência revolucionária.

Depois da morte do Che, acompanha pessoalmente até o Taiti três cubanos da guerrilha na Bolívia, que sobreviveram à queda do Guerrilheiro Heróico e se encontravam já em território chileno.

A Unidade Popular, coalizão política integrada por comunistas, socialistas, radicais, MAPU, PADENA e Ação Popular Independente, proclama-o seu candidato em 22 de janeiro de 1970, e triunfa em 4 de setembro nas eleições desse ano.

É um exemplo verdadeiramente clássico da luta por vias pacíficas para estabelecer o socialismo.

O governo dos Estados Unidos, presidido por Richard Nixon, após o triunfo eleitoral entra de imediato em ação. O Comandante em Chefe do Exército chileno, general René Schneider, é vítima de um atentado em 22 de outubro e falece três dias depois porque não se submetia à demanda imperialista de um golpe de Estado. Fracassa a tentativa de impedir a chegada da Unidade Popular ao governo.

Allende assume legalmente com toda dignidade o cargo de Presidente do Chile em 3 de novembro de 1970. Começa do governo sua heróica batalha pelas mudanças, enfrentando ao fascismo. Tinha já 62 anos de idade. Coube-me a honra de ter compartilhado com ele 14 anos de luta antiimperialista desde o triunfo da Revolução Cubana.

Nas eleições municipais de março do ano 1971, a Unidade Popular obtém maioria absoluta dos votos com 50,86 por cento. Em 11 de julho o presidente Allende promulga a Lei de Nacionalização do Cobre, uma idéia que tinha proposto ao Senado 19 anos antes. Foi aprovada no Congresso por unanimidade. Ninguém se atrevia a objetá-la.

Em 1972 denuncia na Assembléia Geral das Nações Unidas a agressão internacional da qual é vítima seu país. É ovacionado em pé durante longos minutos. Visita nesse mesmo ano a União Soviética, México, Colômbia e Cuba.

Em 1973, ao se realizarem as eleições parlamentares de março, a Unidade Popular obtém 45 por cento dos votos e aumenta sua representação parlamentar.
Não podem prosperar as medidas promovidas pelos ianques nas duas Câmaras para destituir ao Presidente.

O imperialismo e a direita agravam uma luta sem quartel contra o governo da Unidade Popular e desatam o terrorismo no país.

Escrevi-lhe seis cartas confidenciais à mão, com letra pequenina e uma caneta de ponta fina entre os anos 1971 e 1973, nas quais lhe abordava temas de interesse com a maior discrição.

Em 21 de maio de 1971 dizia-lhe:

"... Estamos maravilhados com seu extraordinário esforço e suas energias sem limites para sustentar e consolidar o triunfo.

"Daqui pode-se apreciar que o poder popular ganha espaço apesar de sua difícil e complexa missão.

"As eleições de 4 de Abril constituíram uma esplêndida e alentadora vitória.

"Foram fundamentais seu valor e decisão, sua energia mental e física para levar adiante o processo revolucionário.

"Seguramente esperam por vocês grandes e variadas dificuldades a serem enfrentadas em condições que não são precisamente ideais, mas uma política justa, apoiada nas massas e aplicada com decisão não pode ser vencida..."

Em 11 de setembro de 1971, escrevi-lhe:

"O portador viaja para tratar contigo os detalhes da visita.

"Inicialmente, considerando um possível vôo direto em avião da Cubana, analisamos a conveniência de aterrissar em Arica e iniciar o percurso pelo norte. Surgem logo duas coisas novas: interesse expressado a você por Velazco Alvarado de um possível contato em minha viagem para essa; possibilidade de contar com um avião soviético IL-62 com maior rádio. Este último permite, se desejarmos, chegar em vôo direto a Santiago.

"Vai um esquema de percurso e atividades para que você acrescente, tire e introduza as modificações que estime pertinente.

"Tentei pensar exclusivamente no que possa ser de interesse político sem me preocupar muito com o ritmo ou a intensidade do trabalho, mas tudo em absoluto fica submetido aos seus critérios e considerações.

"Desfrutamos muito os sucessos extraordinários de sua viagem ao Equador, Colômbia e Peru. Quando teremos em Cuba a oportunidade de emular com equatorianos, colombianos e peruanos o enorme carinho e calor com que te receberam?"
Naquela viagem, cujo esquema transmiti ao presidente Allende, salvei milagrosamente a vida. Percorri dezenas de quilômetros diante de uma multidão enorme, situada ao longo do caminho. A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos organizou três ações para assegurar meu assassinato durante essa viagem. Numa entrevista de imprensa anunciada com antecipação, havia uma câmera fornecida por uma emissora televisiva da Venezuela equipada com armas automáticas, manejada por mercenários cubanos que com documentos desse país tinham entrado ao Chile. A valentia falhou aos que apenas tinham que apertar o gatilho durante o longo tempo que durou a entrevista e as câmeras me enfocaram. Não queriam correr o risco de morrer. Tinham me perseguido, ademais, por todo o Chile, onde não me voltaram a ter tão perto e vulnerável. Só pude conhecer os detalhes da covarde ação anos mais tarde. Os serviços especiais dos Estados Unidos haviam chegado mais longe do que podíamos imaginar.

Em 4 de fevereiro de 1972 escrevi a Salvador:

"A delegação militar foi recebida com o maior esmero por todos aqui. As Forças Armadas Revolucionárias dedicaram praticamente todo seu tempo durante esses dias a atendê-la. Os encontros foram amistosos e humanos. O programa intenso e variado. Minha impressão é que a viagem foi positiva e útil, que existe a possibilidade e é conveniente continuar desenvolvendo estes intercâmbios.

"Com Ariel falei sobre a idéia de sua viagem. Compreendo perfeitamente que o trabalho intenso e o tom da contenda política nas últimas semanas não tenham te permitido considerá-la para a data aproximada que mencionamos nessa. É indubitável que não tínhamos levado em consideração estas eventualidades. Por minha parte, naquele dia, vésperas de meu regresso, quando jantávamos já de madrugada em sua casa, ante a falta de tempo e a urgência das horas, tranqüilizava-me pensar que relativamente logo voltaríamos a nos encontrar em Cuba onde íamos dispor da possibilidade de conversar extensamente. Tenho, não obstante, a esperança de que você possa levar em consideração a visita antes de maio. Menciono este mês, porque no mais tardar, desde meados do mesmo, tenho que realizar a viagem, já impostergável, à Argélia, Guiné, Bulgária, outros países e a URSS. Esta ampla visita me tomará considerável tempo.

"Agradeço-lhe muito as impressões que me dá sobre a situação. Aqui, a cada dia todos estamos mais familiarizados, interessados e afetados emotivamente com o processo chileno, seguimos com grande atenção as notícias que chegam de lá. Agora podemos compreender melhor o calor e a paixão que suscitou a revolução cubana nos primeiros tempos. Poderia dizer-se que estamos vivendo nossa própria experiência ao inverso.

"Em sua carta posso apreciar a magnífica disposição de ânimo, serenidade e valor com que está disposto a enfrentar as dificuldades. E isso é fundamental em qualquer processo revolucionário, especialmente quando se desenvolve nas condições sumamente complexas e difíceis do Chile. Eu voltei com uma extraordinária impressão da qualidade moral, cultural e humana do Povo Chileno e de sua notável vocação patriótica e revolucionária. A você te correspondeu o singular privilégio de ser seu condutor neste momento decisivo da história do Chile e da América, como culminação de toda uma vida de luta, como o disse no estádio, consagrada à causa da revolução e do socialismo. Nenhum obstáculo pode ser invencível. Alguém disse que em uma revolução se marcha adiante com ‘audácia, audácia e mais audácia’. Eu estou convencido da profunda verdade que encerra este axioma."

Escrevi-lhe de novo ao presidente Allende em 6 de setembro de 1972:

"Com Beatriz lhe mandei mensagem sobre diferentes tópicos. Depois que ela partiu e com motivo das notícias que estiveram chegando na semana passada, decidimos enviar o companheiro Osmany para ratificar nossa disposição de colaborar em qualquer sentido, e ao mesmo tempo para que você possa nos comunicar através dele sua apreciação da situação e suas idéias com relação à viagem projetada a este e outros países. O pretexto da viagem de Osmany será inspecionar a Embaixada cubana, ainda que não se lhe dará publicidade alguma. Queremos que sua estadia nessa seja muito breve e discreta.

"Os pontos propostos por você através de Beatriz já estão sendo cumpridos...

"Ainda que compreendemos as atuais dificuldades do processo chileno, confiamos que vocês acharão o modo de vencê-las.

"Pode contar inteiramente com nossa cooperação. Receba uma saudação fraternal e revolucionária de todos nós."

Em 30 de junho de 1973 enviamos um convite oficial ao presidente Salvador Allende e aos partidos da Unidade Popular para comemoração do 20° Aniversário do ataque ao Quartel Moncada.

Em carta aparte, digo-lhe:

"Salvador:

"O anterior é o convite oficial, formal, para a comemoração do 20° Aniversário. O formidável seria que você pudesse dar um pulo em Cuba nessa data. Você pode imaginar o que significaria isso de alegria, satisfação e honra para os cubanos. Sei que isso, no entanto, depende mais que nada dos seus trabalhos e da situação nesse. Deixamos, portanto, para sua consideração.

"Ainda estamos sob o impacto da grande vitória revolucionária do dia 29 e do seu brilhante papel pessoal nos acontecimentos. É natural que muitas dificuldades e obstáculos subsistirão, mas estou certo de que esta primeira prova exitosa lhes dará grande fôlego e consolidará a confiança do povo. Internacionalmente deu-se grande destaque aos acontecimentos e aprecia-se como um grande triunfo.

"Atuando como o fez em 29, a revolução chilena sairá vitoriosa de qualquer prova por difícil que seja.
Reitero-te que os cubanos estão ao seu lado e que você pode contar com seus fiéis amigos de sempre."

Em 29 de julho de 1973 envio-lhe a última carta:

"Querido Salvador:

"Com o pretexto de discutir contigo qüestões referentes à reunião de países não alinhados, Carlos e Piñeiro realizam uma viagem a essa. O objetivo real é de se informar sobre a situação e oferecer-lhe como sempre nossa disposição a cooperar frente às dificuldades e perigos que obstaculizam e ameaçam o processo. A estadia deles será muito breve porque têm aqui muitas obrigações pendentes e, não sem sacrifício de suas atividades, decidimos que fizessem a viagem.

"Vejo que estão agora na delicada qüestão do diálogo com a D.C. no meio de acontecimentos graves como o brutal assassinato do seu assessor naval e a nova greve dos donos de caminhões. Imagino por isso a grande tensão existente e seus desejos de ganhar tempo, melhorar a correlação de forças para no caso de que estale a luta e, ser for possível, achar um caminho que permita seguir adiante o processo revolucionário sem contenda civil, ao mesmo tempo que salvar sua responsabilidade histórica pelo que possa ocorrer. Estes são propósitos louváveis. Mas no caso que a outra parte, cujas intenções reais não estamos em condições de avaliar daqui, empenhasse-se em uma política pérfida e irresponsável exigindo um preço impossível de ser pago pela Unidade Popular e a Revolução, o que é, inclusive, bastante provável, não esqueça por um segundo a formidável força da classe operária chilena e o respaldo enérgico que te ofereceu em todos os momentos difíceis; ela pode, ao seu chamado ante a Revolução em perigo, paralisar aos golpistas, manter a adesão dos vacilantes, impor suas condições e decidir de uma vez, se é preciso, o destino do Chile. O inimigo deve saber que está alerta e pronta para entrar em ação. Sua força e sua combatividade podem inclinar a balança na capital ao seu favor ainda que outras circunstâncias sejam desfavoráveis.

"Sua decisão de defender o processo com firmeza e com honra até o preço de sua própria vida, que todos sabem que você é capaz de cumprir, arrastarão para seu lado todas as forças capazes de combater e todos os homens e mulheres dignos do Chile. Seu valor, sua serenidade e sua audácia nesta hora histórica de sua pátria e, sobretudo, sua chefatura firme, resolvida e heroicamente exercida, constituem a chave da situação.

"Faça com que Carlos e a Manuel saibam como podem cooperar seus leais amigos cubanos.

"Reitero-te o carinho e a ilimitada confiança do nosso povo."
Isto o escrevi um mês e meio antes do golpe. Os emissários eram Carlos Rafael Rodríguez e Manuel Piñeiro.

Pinochet havia conversado com Carlos Rafael. Tinha-lhe simulado uma lealdade e firmeza similares às do general Carlos Pratts, Comandante em Chefe do Exército durante parte do governo da Unidade Popular, um militar digno que a oligarquia e o imperialismo puseram em total crise, o que o obrigou a renunciar ao comando, e foi mais tarde assassinado na Argentina pelos esbirros da DINA, após o golpe fascista de 1973.

Eu desconfiava de Pinochet desde que li os livros de geopolítica que me obsequiou durante minha visita ao Chile e observei seu estilo, suas declarações e os métodos que como Chefe do Exército aplicava quando as provocações da direita obrigavam ao presidente Allende a decretar estado de sítio em Santiago do Chile. Recordava o que advertiu Marx no 18 Brumário.

Muitos chefes militares do exército nas regiões e seus estados maiores queriam conversar comigo onde quer que chegasse, e mostravam notável interesse pelos temas de nossa guerra de libertação e as experiências da Crise de Outubro de 1962. As reuniões duravam horas nas madrugadas, que era o único tempo livre para mim. Eu acedia por ajudar a Allende, inculcando-lhes a idéia de que o socialismo não era inimigo dos institutos armados. Pinochet, como chefe militar, não foi uma exceção. Allende considerava úteis estes encontros.

Em 11 de setembro de 1973 morre heroicamente defendendo o Palácio de la Moneda. Combateu como um leão até o último suspiro.

Os revolucionários que resistiram ali à investida fascista contaram coisas fabulosas sobre os momentos finais. As versões nem sempre coincidiam, porque lutavam de diferentes pontos do Palácio. Ademais, alguns de seus mais próximos colaboradores morreram, ou foram assassinados após o duro e desigual combate.

A diferença dos depoimentos consistia em que uns afirmavam que os últimos disparos os fez contra si próprio para não cair prisioneiro, e outros que sua morte se deu por fogo inimigo. O Palácio ardia atacado por tanques e aviões para consumar um golpe que consideravam trâmite fácil e sem resistência. Não há contradição alguma entre ambas as formas de cumprir o dever. Em nossas guerras de independência houve mais de um exemplo de combatentes ilustres que, quando já não havia defesa possível, privaram-se da vida antes de cair prisioneiros.

Há muito que dizer ainda sobre o que estivemos dispostos a fazer por Allende, alguns o escreveram. Não é o objetivo destas linhas.

Hoje se cumpre um século de seu nascimento. Seu exemplo perdurará.

Fidel Castro Ruz

Junho 26 de 2008

6 e 34 p.m.

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Fidel Castro: Os direitos humanos, o esporte e a paz

Havana, 23 jun (Prensa Latina) O líder da Revolução cubana, Fidel Castro, afirmou que nunca torturamos ninguém, nem privamos alguém da vida por métodos extrajudiciais.

Em um artigo especial para a publicação digital Cubadebate, divulgado ontem, titulado Os direitos humanos, o esporte e a paz, Fidel Castro pergunta: “Será que não foi calúnia a afirmação, milhões de vezes repetidas, que em Cuba se tortura e se violam os direitos humanos?”.

“Se a Europa toma medidas diplomáticas contra Cuba alegando defender esses direitos, por que não adotam essas medidas contra os Estados Unidos pelo genocídio de Bush no Iraque e as milhares de pessoas presas sem julgamento e torturadas durante anos ali e em qualquer parte do mundo?”, assevera.

“Chamou-me a atenção –aponta- que nenhuma de minhas amigas, as agências de informação, dissessem uma palavra no sábado sobre a grande avaliação que a UNESCO fez sobre a educação em Cuba que, apesar das ações dos Estados Unidos, ultrapassa os níveis atingidos pelos demais países da região, como se isso não tivesse nada a ver com o respeito aos direitos humanos”.

A Prensa Latina transmite a seguir o texto na íntegra:

Reflexões do companheiro Fidel:

Os direitos humanos, o esporte e a paz

Especial para Cubadebate

Chamou-me a atenção que nenhuma de minhas amigas, as agências de informação, dissessem uma palavra no sábado sobre a grande avaliação que a UNESCO fez sobre a educação em Cuba que, apesar das ações dos Estados Unidos, ultrapassa os níveis atingidos pelos demais países da região, como se isso não tivesse nada a ver com o respeito aos direitos humanos.

Todas insistiam em qualificar a Reflexão como uma diatribe contra a Europa. Um despacho da agência chinesa XINJUA não o interpreta dessa forma. Transcreve os argumentos com fidelidade.

Utilizei os serviços de INTERNET para analisar a palavra diatribe. Resposta: “Discussão ou escrito violento e injurioso contra pessoa ou coisa”.

Peço definição de injúria. Resposta: “Fato ou dito contra razão e justiça”.

Será que não foi calúnia a afirmação, milhões de vezes repetidas, que em Cuba se tortura e se violam os direitos humanos? Nunca torturamos ninguém, nem privamos alguém da vida por métodos extrajudiciais.

Se a Europa toma medidas diplomáticas contra Cuba alegando defender esses direitos, por que não adotam essas medidas contra os Estados Unidos pelo genocídio de Bush no Iraque e as milhares de pessoas presas sem julgamento e torturadas durante anos ali e em qualquer parte do mundo?

É curioso que um órgão da imprensa espanhola, que sem dúvida é diametral e abertamente oposto ao socialismo, menciona o reconhecimento da UNESCO aos resultados do sistema educacional de Cuba, e inclui textualmente minha afirmação: “Nenhum país onde os direitos humanos sejam sistematicamente violados atingiria tão elevados níveis de conhecimentos”.

Enquanto escrevo esta Reflexão, às três da tarde, vejo pela televisão a partida de futebol entre Espanha e Itália. Estão zero a zero depois de uma hora de jogo. O Rei da Espanha contempla satisfeito o desafio. Não terminou ainda. São, sem dúvida, temíveis equipes. Há que reconhecê-lo.

Peço para sintonizar a televisão para ver a partida de futebol entre a equipe olímpica de Cuba e uma forte seleção das universidades dos Estados Unidos. Ontem pela noite, observei o choque entre as equipes olímpicas de boxe de Cuba e da França. Os atletas que representam esta são excelentes, como os boxeadores cubanos. Nosso público, bem instruído em questões esportivas, é imparcial, respeitoso e objetivo. Houve paz, hinos e bandeiras içadas, apesar do afã dos europeus e dos ianques para subornar e comprar atletas cubanos.

Agradeço a todos os mencionados por haverem fornecido matéria prima para esta Reflexão.

Talvez nos próximos dias dedique este tempo a outras atividades.

Fidel Castro

Junho 22 de 2008 4 e 20 p.m.

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Fidel Castro: A verdade e as diatribes

Havana, 22 jun (Prensa Latina) O líder da Revolução cubana, Fidel Castro, assegurou que escreve porque continua lutando e o faz em nome das convicções que defendeu toda sua vida.

Em um artigo titulado "A verdade e as diatribes", especialmente para a publicação digital Cubadebate, Fidel Castro nega ter escrito qualquer diatribe contra a Europa, e acrescenta que "disse simplesmente a verdade. Se esta ofende, não é minha culpa".

"Por poupar espaço, na reflexão de ontem não mencionei sequer a exportação de armas, os gastos militares e as aventuras bélicas da OTAN, às quais se acrescentam os vôos secretos e a cumplicidade da Europa com as torturas do governo dos Estados Unidos", assinala.

"Ignoro -acrescenta- se alguém foi preso em qualquer ponto do país por violar alguma lei. Nada tem a ver com a reflexão que solicitei que se divulgasse apenas por Cubadebate. Relacionar ambas as coisas é arbitrário. Utilizarei esse sítio na Internet no ritmo que considere pertinente. Não abusarei da paciência de ninguém. Não cobro um centavo, meu trabalho é gratuito".

A Prensa Latina transmite a seguir o texto na íntegra:

Reflexões do companheiro Fidel:

A VERDADE E AS DIATRIBES

Especial para Cubadebate

Sabe-se que nos países industrializados e ricos as pessoas investem em alimentos, em média, ao redor de 25 por cento de suas rendas. Os que pertencem aos povos que foram mantidos por aqueles no subdesenvolvimento econômico, requerem para este fim até 80 por cento de suas rendas. Muitos passam fome física e sofrem enormes diferenças sociais. As taxas de desemprego são, como norma, duas ou três vezes maiores; a mortalidade infantil expressa-se em proporções ainda mais altas, e a perspectiva de vida se reduz até dois terços das que desfrutam aqueles. O sistema é simplesmente genocida.

Na reflexão que escrevi há três dias, disse: “Nosso país demonstrou que pôde resistir a todas as pressões e ajudar outros povos.” Pode a Europa afirmar o mesmo?

No relatório publicado pela UNESCO ontem 20 de junho, afirma-se que Cuba, entre todos os países da América Latina, ocupa o primeiro lugar tanto em matemáticas e leitura de terceiro grau, como em matemáticas e ciências de sexto grau, entre mais de 200 mil crianças de 16 países examinados ao longo de dois anos, com mais de 100 pontos acima da média regional. É a segunda vez que a UNESCO outorga esse reconhecimento a nossa pátria.

Compreender-se-á que nenhum país onde os direitos humanos sejam sistematicamente violados atingiria níveis tão elevados de conhecimento.

Por que se bloqueia Cuba durante 50 anos?

Por que se lhe calunia?

Por que se lhe obstaculiza todo acesso à informação técnica e científica?

Por que se lhe quer conduzir a um sistema econômico e social insustentável, que não oferece solução alguma aos problemas da humanidade?

Por algo milhões de cidadãos bolivianos, equatorianos, uruguaios, argentinos, brasileiros, centro-americanos e outros da América Latina emigraram à Europa, de onde agora poderiam ser brutalmente devolvidos aos seus países de origem se não cumprirem todos os requisitos que a nova lei anti-imigrante exige.

O que é pior: um número muitas vezes maior de cidadãos do México, Centro e América do Sul emigraram aos Estados Unidos cruzando fronteiras, muros e mares, sem documentação alguma nem Lei de Ajuste que os privilegie e estimule a emigrar, e dos quais morrem mais de 500 a cada ano. Adicionalmente, milhares morrem a cada ano no México e América Central, vítimas do crime organizado, na disputa pelo mercado de drogas dos Estados Unidos, cujo consumo as mais altas autoridades desse país não são capazes nem querem combater.

O subprocurador José Luis Santiago Vasconcelos declarou que o tráfico de pessoas é o segundo setor ilegal mais lucrativo. Quando se trata de cubanos, os lucros são comparáveis aos do narcotráfico: “Cobram até 10.000 dólares por indivíduo.”

O dinheiro procede dos Estados Unidos. Penso que o México não pode se transformar em paraíso do tráfico de imigrantes, quando até os próprios guarda-costas norte-americanos interceptam e devolvem os que são capturados no mar.

O México não está obrigado a permitir que lhe imponham uma versão da política de pés secos e pés molhados.

Em Cuba não existe o crime organizado nem a impunidade para o tráfico de drogas. Foi combatido com eficácia sem sangrar a nação. Só por cinismo o governo dos Estados Unidos não o reconhece.

Não escrevi nenhuma diatribe contra a Europa, disse simplesmente a verdade. Se esta ofende, não é minha culpa.

Por poupar espaço, na reflexão de ontem não mencionei sequer a exportação de armas, os gastos militares e as aventuras bélicas da OTAN, às quais se acrescentam os vôos secretos e a cumplicidade da Europa com as torturas do governo dos Estados Unidos.

Ignoro se alguém foi preso em qualquer ponto do país por violar alguma lei. Nada tem a ver com a reflexão que solicitei que se divulgasse apenas por Cubadebate. Relacionar ambas as coisas é arbitrário. Utilizarei esse sítio na Internet no ritmo que considere pertinente. Não abusarei da paciência de ninguém. Não cobro um centavo, meu trabalho é gratuito.

Não sou nem serei nunca chefe de fração ou grupo. Não pode se deduzir, portanto, que exista pugnas dentro do Partido. Escrevo porque continuo lutando, e o faço em nome das convicções que defendi toda minha vida.

Fidel Castro Ruz

21 de junho de 2008

1 e 34 p.m.

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Fidel Castro: Estados Unidos, Europa e os Direitos Humanos

Havana, 21 jun (PL) Fidel Castro afirmou que a desprestigiada forma de suspender as sanções a Cuba que acaba de adotar a União Européia em 19 de junho não implica em absoluto conseqüência econômica alguma para este país.

Em um artigo titulado "Estados Unidos, Europa e os Direitos Humanos", escrito especialmente para a publicação digital Cubadebate e divulgado ontem, o líder da Revolução cubana destaca que pelo contrário, as leis extraterritoriais dos Estados Unidos e, portanto, seu bloqueio econômico e financeiro, continuam plenamente vigentes.

"Na minha idade e em meu estado de saúde, você não sabe quanto tempo vai viver, mas desde agora desejo consignar meu desprezo pela enorme hipocrisia que contem tal decisão", acrescenta.

A Prensa Latina transmite a seguir o texto na íntegra:

Reflexões do companheiro Fidel

ESTADOS UNIDOS, EUROPA E Os DIREITOS HUMANOS

ESPECIAL PARA CUBADEBATE

A desprestigiada forma de suspender as sanções contra Cuba que acaba de adotar a União Européia em 19 de junho foi abordada por 16 despachos internacionais de imprensa. Não implica em absoluto conseqüência econômica alguma para nosso país. Pelo contrário, as leis extraterritoriais dos Estados Unidos e, portanto, seu bloqueio econômico e financeiro, continuam plenamente vigentes.

Na minha idade e em meu estado de saúde, você não sabe quanto tempo vai viver, mas desde agora desejo consignar meu desprezo pela enorme hipocrisia que contem tal decisão. Isto fica ainda mais evidente quando coincide com a brutal medida européia de expulsar aos imigrantes não autorizados procedentes dos países latino-americanos, em alguns dos quais a população em sua maioria é de origem européia. Os emigrantes são também fruto da exploração colonial, semi-colonial e capitalista.

A Cuba, em nome dos direitos humanos, exige-lhe a impunidade daqueles que pretendem entregar, de pés e mãos atadas, a pátria e o povo ao imperialismo.

Até as próprias autoridades do México têm que reconhecer que a máfia de Miami, ao serviço do governo dos Estados Unidos, arrebatou-lhe pela força ou através da compra, um importante contingente de agentes migratórios desse país de dezenas de imigrantes ilegais presos em Quintana Roo, entre eles crianças inocentes transportadas à força por arriscados mares e até mães forçadas a emigrar. Os traficantes de pessoas como os de drogas, que dispõem a seu desejo do maior e mais cobiçado mercado do mundo, puseram em risco a autoridade e a moral que necessita qualquer governo para dirigir o Estado, derramando sangue latino-americano por todas as partes, sem contar os que morrem por emigrar através do humilhante muro fronteiriço sobre o qual foi território do México.

A crise dos alimentos e da energia, as mudanças climáticas e a inflação acossam as nações. A impotência política reina, a ignorância e as ilusões tendem a generalizar-se. Nenhum dos governos, e menos ainda os da República Checa e Suécia, que eram renuentes à decisão da União Européia, poderiam responder de forma coerente às questões que estão sobre o tapete.

Enquanto isso, em Cuba os mercenários e vende-pátrias ao serviço do império arrancam os cabelos e rasgam suas vestiduras em defesa dos direitos de traição e impunidade.

Tenho muitas coisas a dizer, mas por hoje basta. Não desejo incomodar, mas vivo e penso.

Divulgarei esta Reflexão apenas pela via de Internet hoje sexta-feira 20 de junho de 2008.

Fidel Castro

1 e 55 p.m.

fgg/acl/cc

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fidel Castro: A formiga pôde mais que o elefante!

Havana, 19 jun (Prensa Latina) O líder cubano, Fidel Castro, destacou o desenvolvimento em Cuba de um forte espírito internacionalista desde os primeiros anos da Revolução.

Em um artigo titulado "A formiga e o elefante", publicado hoje pelo jornal Granma, Fidel Castro assegura que dito espírito "teve suas raízes no numeroso contingente de cubanos que participou na luta antifascista do povo espanhol e fez suas as melhores tradições do movimento operário mundial".

"Não costumamos divulgar nossa cooperação com outros povos, ainda que também não haveria forma de impedir que a imprensa fale às vezes da mesma. Está motivada em sentimentos profundos que em nada se relacionam com a publicidade", destaca.

"Alguns se perguntarão -acrescenta- como é possível que um país pequeno com poucos recursos possa levar adiante uma tarefa dessa magnitude em campos tão decisivos como a educação e a saúde, sem os quais não é concebível a sociedade atual".

A seguir a Prensa Latina reproduz o texto na íntegra:

Reflexões do companheiro Fidel

A formiga e o elefante

Acho que não existe tema que valha a pena comentar sem cansar aos pacientes leitores depois da Mesa Redonda de 12 de junho, que divulgou a nova edição de um livro publicado na Bolívia há 15 anos, desta vez com um prólogo meu. Leu-se nesse programa uma introdução elaborada posteriormente pelo presidente Evo Morales e uma mensagem da prestigiosa escritora argentina Stella Calloni, que serão incluídas em uma próxima edição. Selecionei cuidadosamente os dados que utilizei nesse prólogo.

Desde os primeiros anos da Revolução Cubana desenvolveu-se um forte espírito internacionalista, que teve suas raízes no numeroso contingente de cubanos que participou na luta antifascista do povo espanhol e fez suas as melhores tradições do movimento operário mundial.

Não costumamos divulgar nossa cooperação com outros povos, ainda que também não haveria forma de impedir que a imprensa fale às vezes da mesma. Está motivada em sentimentos profundos que em nada se relacionam com a publicidade.

Alguns se perguntarão como é possível que um país pequeno com poucos recursos possa levar adiante uma tarefa dessa magnitude em campos tão decisivos como a educação e a saúde, sem os quais não é concebível a sociedade atual.

O ser humano criou os bens e serviços indispensáveis desde que vive em sociedade, e esta se desenvolveu a partir das formas mais elementares até as mais avançadas ao longo de muitos milhares de anos.

A exploração do homem pelo homem foi inseparável companheira desse desenvolvimento, como todos sabem ou devemos saber.

As diferenças no modo de perceber essa realidade sempre dependeram do lugar que cada um ocupou na sociedade. Via-se como algo natural e a imensa maioria não tomou nunca consciência disto.

Em pleno auge do capitalismo na Inglaterra, que ia à vanguarda com os Estados Unidos e outros países da Europa, no mundo dominado já pelo colonialismo e o expansionismo, um grande pensador e estudioso da história e a economia, Karl Marx, partindo das idéias dos mais prestigiosos filósofos e economistas alemães e ingleses da época - entre eles Hegel, Adam Smith e David Ricardo, com os quais discordou -, elaborou, escreveu e publicou suas idéias sobre as relações de produção e troca no capitalismo no ano 1859 sob o título Contribuição à Crítica da Economia Política. Em 1867, continuou divulgando seu pensamento com o primeiro capítulo de sua destacada obra, que o fez famoso: O Capital. A maior parte de seu extenso livro, a partir de notas e anotações suas, foi editado por Engels, que compartilhava suas idéias e como um profeta divulgou sua obra após a morte de Marx, em 1883.

O publicado pelo próprio Marx constitui a análise mais séria jamais escrita sobre a sociedade de classes e a exploração do homem pelo homem. Nasceu assim o marxismo, que foi o fundamento dos partidos e movimentos revolucionários que proclamavam o socialismo como objetivo, entre os que se contavam quase todos os partidos social-democratas que ao estalar a Primeira Guerra Mundial traíram a consigna hasteada por Marx e Engels no Manifesto comunista, publicado pela primeira vez em 1848: "Proletários de todos os países, uni-vos!".

Uma das verdades que o grande pensador expressava textualmente de forma singela é: "Na produção social de sua vida os homens estabelecem determinadas relações necessárias e independentes de sua vontade, relações de produção que correspondem a uma fase determinada de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. Não é a consciência do homem o que determina seu ser, senão pelo contrário, o ser social é o que determina sua consciência. Ao chegar a uma fase determinada de desenvolvimento das forças produtivas materiais da sociedade, entram em contradição com as relações de produção existentes... Das formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se em suas travas e abre-se assim uma época de revolução social... Nenhuma formação social desaparece antes que se desenvolvam as forças produtivas que cabem dentro dela e jamais aparecem novas e mais elevadas relações de produção antes que as condições materiais de sua existência tenham amadurecido dentro da própria sociedade antiga."

Eu não poderia explicar com outras palavras esses conceitos claros e precisos emitidos por Marx de tal modo que, com uma elementar explicação de seus professores, até um jovem cubano dos que entraram no último sábado 14 de junho na Juventude Comunista possa compreender sua essência.

Sobre o desenvolvimento concreto da luta de classes, Marx escreveu A luta de classes na França de 1848 a 1850 e O 18 Brumário de Luis Bonaparte, duas excelentes análises históricas que deleitam qualquer leitor. Era um verdadeiro gênio.

Lênin, continuador profundo do pensamento dialético e das investigações de Marx, escreveu duas obras fundamentais: O Estado e a revolução e O imperialismo, fase superior do capitalismo. As idéias de Marx, postas em prática real por ele com a Revolução de Outubro, foram igualmente desenvolvidas por Mao Tse Tung e outros líderes revolucionários no Terceiro Mundo. Sem elas a Revolução Cubana também não teria estalado no pátio traseiro dos Estados Unidos.

Se o pensamento marxista tivesse circunscrito simplesmente à idéia de que "nenhuma formação social desaparece antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que cabem dentro dela", o teórico do capitalismo Francis Fukuyama teria tido razão ao proclamar que o desaparecimento da URSS era o fim da história e das ideologias e deveria cessar toda resistência ao sistema capitalista de produção.

Na época em que o criador do socialismo científico expôs suas idéias, as forças produtivas estavam por se desenvolver plenamente, a tecnologia não tinha contribuído ainda com as mortíferas armas de destruição em massa, capazes de provocar o extermínio da espécie; não existia o domínio aeroespacial, o desperdício sem limites dos hidrocarbonetos e combustíveis fósseis não renováveis; a mudança climática não era conhecida em uma natureza que parecia infinita ao ser humano, nem se havia apresentado a crise mundial de alimentos para compartilhar com inúmeros motores de combustão e uma população seis vezes superior ao bilhão que habitava o planeta no ano em que nasceu Karl Marx.

A experiência de Cuba socialista acontece quando o domínio imperial se estendeu por toda a Terra.

Ao falar da consciência não me refiro a uma vontade capaz de mudar a realidade senão, pelo contrário, ao conhecimento da realidade objetiva que determina a conduta a seguir.

Dezenas de milhões de pessoas tinham morrido na guerra provocada em meados do século XX pelo fascismo, que nasceu da entranha antimarxista do capitalismo desenvolvido previsto por Lênin.

Em Cuba, como em outros países do Terceiro Mundo, a luta pela libertação nacional sob a direção das camadas médias e da pequena burguesia, e a que já vinham livrando pelo socialismo os setores mais avançados da classe operária e dos camponeses, somaram-se e potenciaram-se mutuamente. Afloraram igualmente as contradições ideológicas e de classe. Os fatores objetivos e subjetivos variavam consideravelmente em cada processo.

Da última contenda mundial tinham surgido as Nações Unidas e outros organismos internacionais, nos que muitos viram uma nova consciência no planeta. Era um engano.
O fascismo, cujo instrumento o próprio Hitler chamou Partido Nacional Socialista, renasceu mais poderoso e ameaçador que nunca.

O império envia e mantém porta-aviões em todos os mares do mundo para intervir militarmente. O que decide a fim de competir com Cuba na região do nosso hemisfério? Enviar um enorme barco transformado em hospital flutuador que trabalha dez dias em cada país. Um número de pessoas pode ser ajudada, mas está bem longe de resolver os problemas de um país; não compensa também o roubo de cérebros nem pode formar os especialistas necessários para prestar verdadeiros serviços médicos em qualquer dia da semana e do ano. Todos os porta-aviões juntos, que agora são instrumentos de intervenção militar nos diversos oceanos da Terra, transformados em hospitais não poderiam prestar esses serviços aos milhões de pessoas que os médicos cubanos atendem em lugares afastados do mundo, onde parem mulheres, nascem crianças e existem doentes que precisam de atenção urgente.

Nosso país demonstrou que pode resistir a todas as pressões e ajudar outros povos.
Meditava sobre a magnitude de nossa cooperação não apenas na Bolívia, senão no Haiti, no Caribe, em vários países da América Central e da América do Sul, na África, e até na longínqua Oceania, a 20.000 quilômetros de distância. Recordava igualmente as missões da Brigada Henry Reeve, em casos de graves emergências, viajando em nossos próprios aviões, transportando pessoal e outros recursos.

O milhão de operados gratuitamente da vista a cada ano na América Latina e no Caribe de que falamos, não está longe de ser atingido. Podem os Estados Unidos talvez emular com Cuba?

Utilizaremos a computação não para fabricar armas de destruição em massa e exterminar vidas senão para transmitir conhecimentos a outros povos. Do ponto de vista econômico, o desenvolvimento das inteligências e das consciências de nossos compatriotas, graças à Revolução, permite-nos não apenas cooperar com os povos que mais a necessitam sem custo algum, senão também exportar serviços especializados, incluídos os de saúde, a países com mais recursos que a nossa pátria. Nesse terreno os Estados Unidos não poderiam jamais competir com Cuba.

Nosso pequeno país resistirá. Em poucas palavras: A formiga pôde mais que o elefante!

Fidel Castro Ruz

Junho 18 de 2008